Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Cardeais juram segredo e se fecham na Capela Sistina

Segunda, 18 de Abril de 2005 às 12:27, por: CdB

Os cardeais da Igreja Católica se encerraram na Capela Sistina na segunda-feira para escolher o sucessor de João Paulo II, depois de o principal candidato conservador ter pedido que o próximo pontífice afaste as tendências modernas.

Um a um, vestidos de vermelho, os cardeais colocaram sua mão direita sobre um Evangelho colocado no meio da capela, jurando segredo e fidelidade à Igreja.

Os prelados se reuniram sob o imponente afresco de Michelangelo, representando o Dia do Julgamento Final, ao som de órgão. Eles vêm de 52 países diferentes.

O eleito pelo conclave como o líder espiritual do 1,1 bilhão de católicos do mundo terá a missão de preencher o vácuo deixado pela morte de João Paulo II, cujo pontificado de 26 anos foi um dos mais dinâmicos da história, embora polêmico.

A primeira decisão que os cardeais teriam de tomar era se a primeira das votações seria realizada ainda nesta segunda-feira ou se ficaria para terça.

Tudo que se saberá sobre seu trabalho vai depender de uma nuvem de fumaça da chaminé da capela - fumaça preta significa que não há decisão, e fumaça branca quer dizer que o papa está eleito.

Horas antes do início do conclave, Joseph Ratzinger, o grande fiscal da doutrina católica, advertiu os cardeais de que eles deveriam escolher um pontífice que defenda as tradições da Igreja.

- Uma fé adulta não é aquela que segue marés de tendências e as últimas novidades - disse ele numa missa pré-conclave na Basílica de São Pedro, num sermão que muitos especialistas consideraram uma defesa de sua própria candidatura.

Desde a morte de João Paulo II, no dia 2 de abril, o nome de Ratzinger, muito próximo a ele, tem sido um dos mais cotados. Mas muitos analistas duvidam que o alemão de 78 anos consiga a maioria de dois terços necessária para a eleição.

Depois do juramento inicial de segunda-feira, o arcebispo Piero Marini, mestre-de-cerimônias papais, disse em latim: "Extra omnes" (Saiam todos). Só ficaram os cardeais, sentados lado a lado na capela.

Quando as portas de madeira da Capela Sistina se fecharam, milhares de fiéis na Praça São Pedro, que acompanharam a cerimônia de abertura em telões, aplaudiram.

- Se você não acredita, isso parece política. Mas, se acredita, como eu, no poder da oração, sabe que eles serão iluminados para fazer a escolha certa - disse Annick Vandamme, que foi de Paris a Roma para presenciar o acontecimento.

O cardeal Tomas Spidlik, 85, falaria uma última vez aos eleitores antes de se retirar, abrindo espaço para os complicados ritos de votação que foram evoluindo ao longo dos séculos e que hoje envolvem até quatro votações espontâneas por dia, até que um papa seja eleito.

Dos oito conclaves do século 20, nenhum levou mais que cinco dias, e dois se concluíram no segundo dia. A maior parte dos especialistas acredita num conclave relativamente rápido, prevendo que a fumaça branca aparecerá na noite de quarta-feira ou na quinta. Eles temem que um conclave longo indique discordâncias profundas e perigosas.

Assim como nos tempos medievais, os cardeais não poderão se comunicar com o mundo externo. O Vaticano tomou providências tecnológicas para garantir a segurança -- a capela possui um pavimento falso para acomodar equipamentos eletrônicos contra a espionagem.
Não haverá debates entre os cardeais na Capela Sistina, mas eles poderão conversar informalmente durante as refeições e em seus aposentos, dentro da Cidade do Vaticano.

Apesar da torcida de muitos para que o novo papa venha do mundo em desenvolvimento, cardeais como o brasileiro Cláudio Hummes e o nigeriano Francis Arinze não parecem ter muitas chances.

A Europa tem apenas um quarto dos católicos do mundo, mas possui metade dos cardeais do conclave. A Itália tem o maior bloco nacional, com 20 cardeais, e dominou o posto por 455 anos antes da ascensão do relativamente desconhecido polonês Karol Wojtyla, em 1

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