Os cardeais brasileiros dom Eusébio Oscar Scheid, arcebispo do Rio de Janeiro, e dom Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo, procuraram explicar nesta quarta-feira em Roma declarações feitas anteriormente a respeito do catolicismo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
À mesa do refeitório do Colégio Pio Brasileiro, onde está hospedado com Hummes e dom José Freire Falcão, arcebispo emérito de Brasília, Scheid apresentou uma declaração por escrito para explicar a afirmação que fizera na terça-feira, ao chegar a Roma, de que o presidente Lula não era "católico mas caótico".
- Quando se apontou a autoridade do nosso presidente sobre o assunto, reagi, o que teria sido melhor não ter feito - que não era o senhor Lula que deveria falar sobre a questão, 'sendo a escolha do papa uma escolha iluminada pelo Espírito Santo'.
- Não me parecia que o assunto do Espírito Santo fosse da alçada do nosso senhor presidente, dado que nas matérias de fé, de moral e de ética da nossa igreja ele me parecia mais confuso, ambíguo ('caótico') do que lídimo e claro, isto é, não suficientemente 'católico'.
- Como todos os outros.
Hummes, considerado um forte candidato a sucessor de João Paulo II, disse que:
- Lula se considera, se declara católico, e tem comungado mais vezes comigo.
- Eu tenho mais vezes dado a comunhão a ele sobretudo no primeiro de maio. Para mim é católico como todos os outros católicos do Brasil. Não como todos, porque os católicos são diferenciados na sua prática. Eu considero ele como um católico - acrescentou Hummes.
Mais cedo, ao desembarcar no Aeroporto Leonardo Da Vinci, na capital italiana, Hummes dissera:
- Eu conheço (o presidente Luiz Inácio Lula da Silva) desde que ele se fez um líder sindical e um líder político. Ele é cristão ao seu modo e ele é católico ao seu modo.
Em sua nota, o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro deu a entender que não pretendia ter feito os comentários que fez na chegada à capital italiana.
- Faço questão de sublinhar que jamais desrespeitei a autoridade constituída ou legitimamente eleita. A entrevista a mim, como que forçada por diversos repórteres e emissoras, deu-se em ambiente impróprio, no barulho da saída do Aeroporto de Roma, após longa e cansativa viagem.
- Declaro que não gostei de ser abordada, e apenas isso, a escolha do futuro papa, quando eu apenas quisera ter falado sobre o extraordinário pontificado do papa João Paulo II, cujos frutos ainda colheremos muito tempo na Igreja Católica e no mundo todo.
Na terça-feira, Scheid, afirmou ao chegar a Roma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não se entende muito bem" com o Espírito Santo.
- Não, não mistura o Lula nessa história ainda não. Aí confunde tudo, porque ele com o Espírito Santo não se entende muito bem - dissera o arcebispo do Rio de Janeiro.
A frase foi dita em resposta a um jornalista que perguntou se não estava na hora de o mundo ter um papa brasileiro, especialmente agora que o país tem um "presidente operário".
Os três cardeais, juntamente com cardeal dom Geraldo Majella Agnello, arcebispo de Salvador, participam na quinta-feira das Congregações Gerais do Vaticano, que preparam o conclave, a reunião que vai eleger o sucessor do papa João Paulo II.
O conclave começa no dia 18 de abril.
Cardeais brasileiros tentam explicar declarações sobre Lula
Quarta, 06 de Abril de 2005 às 15:04, por: CdB