Rio de Janeiro, 27 de Outubro de 2026

Caprinos nacionais ocupam posição estratégica na cadeia produtiva

A implantação do Programa Nacional de Melhoramento Genético e ações de pesquisa e desenvolvimento para a produção de carne, leite e lã estiveram no centro dos debates, nesta quinta-feira, durante a 14ª reunião ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos. (Leia Mais)

Quinta, 19 de Junho de 2008 às 07:54, por: CdB

A implantação do Programa Nacional de Melhoramento Genético e ações de pesquisa e desenvolvimento para a produção de carne, leite e lã estiveram no centro dos debates, nesta quinta-feira, durante a 14ª reunião ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos. Na pauta, também constava a discussão sobre as principais ações que irão integrar o Programa Nacional de Sanidade de Caprinos e Ovinos, além da criação de programa nacional de capacitação para técnicos, produtores e trabalhadores rurais envolvidos na criação de cabras e ovelhas.

Os caprinos também ajudaram, depois de nove anos de estudo, nas pesquisas dos cientistas da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Eles conseguiram gerar os dois primeiros caprinos transgênicos da América Latina. Os animais foram geneticamente modificados para produzir leite com uma proteína humana que estimula a imunidade e é utilizada em medicamentos para o tratamento de pacientes com aids e câncer.

O experimento faz parte do projeto Caprinos Transgênicos como Biorreatores para Produção de Fármacos de Interesse em Saúde Humana, desenvolvido pelo Laboratório de Fisiologia e Controle da Reprodução da universidade cearense, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo Vicente José Freitas, veterinário responsável pelo laboratório, com o isolamento da proteína hG-CSF (Fator de Estimulação de Colônias de Granulócitos humano) a partir do leite de cabras transgênicas, será possível produzir um medicamento com custo pelo menos dez vezes mais baixo que o dos usados hoje para melhorar o sistema imunológico de pacientes com Aids ou que estejam sendo submetidos à quimioterapia e radioterapia para tratamento do câncer.

De acordo com Freitas, além de mais barato, o novo remédio, que reproduz a proteína humana a partir de células animais, vai causar menos efeitos colaterais que o atual, obtido por meio de culturas de bactérias e fabricado no exterior, cujo custo é estimado em US$ 3 mil por tratamento. O pesquisador disse que a parte mais difícil do experimento brasileiro já foi concluída com a obtenção dos animais que carregam o gene humano e, dentro de nove a dez anos, será possível ter o novo medicamento - inédito no mundo - no mercado.

– Considero que fizemos a parte mais difícil: temos os animais transgênicos. Todas as outras etapas para produzir o medicamento já são dominadas. Então, é apenas uma questão de tempo e execução de protocolos já definidos. O que vai demorar agora são os testes clínicos e pré-clínicos para validar um medicamento em uso humano – afirmou.

Freitas informou que já há contatos para que o medicamento sintetizado a partir do leite de cabra seja produzido pelo laboratório de Biomanguinhos da Fundação Osvaldo Cruz, a fim de garantir o baixo custo do produto e facilitar seu acesso pela população. Além do uso em pacientes com câncer e aids, o medicamento poderá ser empregado para regeneração de tecidos cardíacos e nervosos em pessoas que passaram por infartos e derrames (acidentes vasculares cerebrais).

O pesquisador destacou que, dominada a tecnologia para a transgênese, vários outros tipos de medicamentos poderão ser produzidos com a introdução nos caprinos de novos genes de interesse para a saúde humana. É o caso, por exemplo, da proteína Fator 9 de Coagulação, próximo experimento a ser desenvolvido pela equipe cearense, para viabilizar o tratamento de hemofílicos.

Os dois caprinos transgênicos, macho e fêmea da raça canindé, nativa da Região Nordeste, nasceram em março, entre 23 animais gerados pela experiência do LFCR. Além deles, outro filhote expressava a mudança genética introduzida pelos pesquisadores, mas nasceu morto.

– Foi um resultado muito importante para o Brasil, porque, com um financiamento infinitamente inferior ao de institutos estrangeiros, conseguimos um índice de transgênese [número de animais transgênicos gerados em relação ao total gerado pela expe

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