Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Capital do Haiti também tem a sua Cidade de Deus

Quarta, 02 de Junho de 2004 às 17:34, por: CdB

Na capital do Haiti, as favelas estão por todos os lados e as mais carentes superam em muito a pobreza vista em grandes cidades do Brasil.

O governo não tem estimativas de quantas pessoas vivem nestas áreas - chamadas de "bairros populares" - muitas delas a pouca distância do palácio presidencial e em geral com nomes bem distantes da realidade, como Bela Vista e Cidade do Sol.

Outra é a "Village de Dieu", a Cidade de Deus. Os próprios moradores imaginam que cerca de 100 mil pessoas morem na área, construída em cima de um mangue aterrado, mas dizem que o governo nunca fez um recenseamento.

"O governo não dá atenção nenhuma para a gente. Falta saúde, falta saneamento, falta eletrecidade, falta luz, falta de tudo", disse Dorvilier Djames, um rapaz de 20 anos, que estudou até o equivalente ao último ano do ensino fundamental brasileiro e é considerado um dos melhores jogadores de futebol da comunidade.

Futebol

"Sou fã do Brasil e dos jogadores brasileiros. Ronaldo, Ronaldinho, Cafu e Roberto Carlos são exemplos para todo mundo porque conseguiram sair de um lugar assim e fazer nome com o futebol", diz Djames.

Como muitos garotos na Cidade de Deus brasileira, Djames também sonha em sair da probreza para o estrelato com uma bola nos pés, mas diz que no Haiti isso é impossível.

Ele joga em um dos times amadores que competem no campeonato nacional, mas no país não existe futebol profissional.

"Se eu tivesse uma chance, queria ser jogador profissional e trabalharia muito para conseguir o que todos esses grande jogadores conseguiram. Mas eu teria de ter uma chance de ir para o exterior, para o Brasil ou para a Europa, porque aqui o governo não dá nenhuma atenção para o esporte", reclama.

Esgoto a céu aberto

Djames mora com a família em uma casa simples na "Village de Dieu".

Nas favelas haitianas, a maioria das casas é de alvenaria, mas a infraestrutura pública tem aparência ainda pior do que o da maioria das favelas das grandes cidades brasileiras.

Todo o esgoto corre a céu aberto e, sob temperaturas que chegam facilmente a 40ºC no verão, o cheiro beira o insuportável.

Montes de lixo se acumulam nas esquinas, e carros depenados ou queimados são uma visão comum.

Estrangeiros têm que entrar com muito cuidado nessas áreas - sempre na companhia de um morador local - devido aos altos índices de criminalidade e também porque moram ali muitos que vêem em outros países, em especial os Estados Unidos e a França, grande responsabilidade pelos problemas no Haiti.

Com uma economia incipiente, emprego formal é coisa rara no Haiti e as estimativas mais otimistas calculam que cerca de 60% da população, de cerca de 7 milhões de pessoas, viva na informalidade.

A população é aterrorizada pelos "chimeres", grupos de jovens armados que antes se diziam leais ao ex-presidente Jean Bertrand Aristide e ao partido Família Lavalas, mas que com a queda do governo caíram na criminalidade, utilizando as armas que ainda possuem para dominarem as áreas em que moram.

Desarmamento

Desarmar essas pessoas é um dos principais pontos do mandato da Força de Estabilização da ONU para o Haiti (Minustah, na sigla em francês).

"A ONU diz que o desarmamento faz parte de nossa missão e, havendo armas ilegais nas mãos das pessoas, é isso que temos obrigação de fazer", disse o general Augusto Heleno, o comandante da Minustah.

A intenção é seguir o modelo de um projeto piloto iniciado no Haiti pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), no qual os jovens eram convidados a entr

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