Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Capitais e programas sociais tipo exportação

Segunda, 13 de Junho de 2011 às 11:05, por: CdB

O Brasil consagra-se no mundo como um grande exportador. A novidade é que a exportação agora ganhou novos contornos, indo muito além de mercadorias, matérias-primas e commodities. Está na pauta brasileira capitais, tecnologia e serviços. É uma mudança no papel do Brasil no exterior, que nossa mídia e oposição escondem.

O levantamento do banco sul-africano Standard Bank confirma o que acabo de dizer. Ele aponta a presença de cerca de 200 empresas brasileiras em Angola, 50 a mais do que temos na China. Esse volume, obviamente, é resultado da política de abertura e de proximidade levada a cabo pelo governo Lula na África quando cerca de 40 acordos comerciais foram assinados.

É importante destacar que, no ranking dos parceiros bilaterais de Angola - 1/3 de seu comércio é realizado com os países emergentes chamados de BRICs - a China é o maior em investimentos. Mas o Brasil não faz feio. Vem logo a seguir, em segundo lugar, no quesito volume de exportações.

"Made in Brazil"

Mas quero ressaltar outro tipo de exportação. Além de capitais, tecnologia e serviços, nosso país também tem exportado seus programas sociais, a exemplo do Bolsa Família. Com isso, tornou-se um modelo para os governos democráticos na América Latina, incentivando a replicação de campanhas sociais. Elas são adotadas em toda a América do Sul e Central, para não falar da África.

Sobre a influência brasileira na América Latina, aliás, Folha de S. Paulo,  com uma pauta bem atrasada, diga-se de passagem, fez uma reportagem neste domingo sobre o "momento de mudança" que vive o nosso continente.
Como sempre destacamos aqui no blog, faz tempo que a região passa por transformações de fundo. Ainda que tardia, a descoberta da imprensa é, de qualquer forma, um reconhecimento, e isso é bom.

A reportagem afirma que a eleição de Humala Ollanta no Peru consagra o que chama de “Consenso de Brasília”. Assim classifica o jornal "a estratégia pela qual se elegem líderes de esquerda, moderados, que comandam governos voltados à inclusão social, estabilidade macro-econômica e nacionalismo na exploração de seus recursos naturais".

Consenso de Brasília

Segundo a Folha, o consenso foi consolidado com as eleições do ex-presidente Lula, Fernando Lugo (Paraguai), Maurício Funes (El Salvador), José Pepe Mojica (Uruguai) e, agora, Ollanta Humala (Peru). O jornal credita a esse grupo uma oposição ao que seria a “esfera chavista”, consagrada nas eleições de Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador).

A análise afirma ainda, que, ao exportar receita para os países vizinhos, o ex-presidente Lula minou a influência de Hugo Chávez no continente. O ex-presidente brasileiro, no entanto, passa ao largo dessa conversa. Para ele, o continente latino-americano simplesmente vive um "momento extraordinário". Lula acredita que o milagre da distribuição de renda com crescimento econômico – que já está se dando no Brasil – pode se repetir em qualquer país latino-americano.

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