O Espírito Santo, que, segundo acreditam os cardeais católicos romanos, os inspirará no conclave da próxima semana a escolher um novo papa, não será a única presença invisível na Capela Sistina, no Vaticano.
Também não se pode ver, mas estão lá, os aparelhos antibug e de interferência radiofônica. Tudo está pronto para o conclave que a partir de segunda-feira vai eleger o sucessor do papa João Paulo.
As pinturas de cenas bíblicas de Michelangelo são as mesmas, mas os 115 cardeais que formam o colégio eleitoral e que ficarão trancados na capela do Palácio Apostólico do Vaticano por cerca de seis horas por dia, vão encontrar algumas mudanças.
Um falso assoalho de madeira, coberto por um carpete bege novo foi construído cerca de um metro acima do chão na capela do século 15, que é dividida em duas partes.
É sob esse novo assoalho, disse um membro da Guarda Suíça a jornalistas, durante uma visita pré-conclave, que os aparelhos contra bug e de interferência radiofônica foram colocados.
Durante a visita, era impossível conseguir um sinal de celular dentro da capela, apesar de ser possível obter um sinal fraco do lado de fora da enorme porta que leva a um outro salão com afrescos, a Sala Reggia.
Os aparelhos sob o piso fazem parte das restrições cuidadosas e de alta tecnologia que cercam a área do conclave para manter em segredo os procedimentos e o isolamento dos cardeais.
Os cardeais entrarão por uma rampa de madeira recém-construída, equipada com corrimãos, para chegar ao novo assoalho, que sustenta 12 mesas longas -- três conjuntos de duas ao longo de cada uma das duas paredes mais longas da capela, que é retangular.
Os cardeais se sentarão a essas mesas, lado a lado, enquanto debatem e votam no homem que será o 265o. papa da história de 2.000 anos da Igreja Católica.
As cédulas nas quais os cardeais escrevem seu voto e todos os papéis e notas ligados à apuração serão queimados num velho forno que foi usado pela primeira vez no conclave de 1939, que elegeu Pio 11.
No velho forno cilíndrico de ferro batido estão registradas as datas dos seis conclaves anteriores e os nomes dos homens que foram eleitos.
Mas agora há um acréscimo moderno. Do lado esquerdo do velho forno fica um novo, elétrico.
A sua função é fornecer a quantidade certa de calor e ventilação para que tudo funcione direito. As duas chaminés de cobre dos dois fornos se unem numa única chaminé vários metros acima do chão e se estende até o teto.
O segundo forno, que a nota do Vaticano chamou de "auxiliar para aumentar a visibilidade da fumaça", tem um ventilador interno e um painel eletrônico com uma série de botões.
Quando o novo papa for escolhido, as cédulas são queimadas com um aditivo de forma a criar uma fumaça branca. Elas são queimadas sem nada, criando uma fumaça preta, se ninguém for eleito.
No conclave de 1978 surgiu uma confusão porque a fumaça que saiu da chaminé da Capela Sistina era cinza.
Isto não deve acontecer novamente se o novo forno der conta do recado. Mas, por precaução, o Vaticano tem planos de tocar os grandes sinos da Basílica de São Pedro quando um novo papa for eleito.