A utilização da capacidade instalada na indústria ficou estável em fevereiro, apesar do crescimento do faturamento das empresas, mostraram dados dessazonalizados divulgados nesta quarta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a instituição, esses movimentos indicam a maturação de investimentos feitos no setor e afastam o risco de pressões inflacionárias.
– Projetos de expansão começam a entrar em operação, o que amplia a capacidade de produção da indústria – afirmou o economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco, a jornalistas.
A utilização da capacidade foi de 80,4% em fevereiro, mesmo patamar de janeiro. Na comparação com fevereiro de 2009, contudo, a utilização aumentou 2,2 pontos percentuais.
"Esse resultado reflete a melhora na atividade industrial, recuperando-se dos efeitos da crise internacional", afirmou a CNI em nota, acrescentando que o indicador permanece 3 pontos abaixo do observado em fevereiro de 2008.
O Banco Central tem destacado em seus pronunciamentos preocupação com a redução do nível da ociosidade na indústria. Castelo Branco ponderou, no entanto, que o ritmo dessa redução não é motivo para alerta, e funciona como um estímulo ao investimento.
– A gente nao compartilha o receio de que, no curto prazo, haja um aumento expressivo do uso da capacidade que possa levar a um descompasso entre oferta e demanda – afirmou o economista.
O faturamento real da indústria aumentou 3,3% em fevereiro frente a janeiro, segundo dado dessazonalizado. No mesmo período, as horas trabalhadas aumentaram em 1% e o emprego industrial teve alta de 0,9%. Já o nível de utilização da capacidade instalada permaneceu estável na comparação com janeiro, mas foi 1,3% inferior ao de dezembro do ano passado. A indústria de transformação operou com 78,6% da capacidade instalada, o mesmo percentual de janeiro.
Produção aumenta
Estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também divulgado nesta quarta-feira, mostra que a produção industrial brasileira cresceu de janeiro para fevereiro em sete das 14 áreas da Pesquisa Industrial Mensal. As regiões em que a indústria cresceu acima da média nacional (1,5%) foram: Pernambuco (11,1%), Goiás (8,3%), Rio de Janeiro (2,3%), São Paulo (2,2%) e Minas Gerais (2,0%). Das sete áreas em que a produção da indústria caiu, Rio Grande do Sul (-5,3%) e Amazonas (-3,9%) registraram as quedas mais elevadas.
Na comparação com fevereiro de 2009, todas as áreas pesquisados apresentaram crescimento na produção, com destaque para o Espírito Santo (37,9%), Goiás (31,6%), Minas Gerais (26,0%), Pernambuco (24,7%), Amazonas (22,5%) e São Paulo (20,9%), que ficaram acima da média nacional (18,4%), na comparação anual.
O indicador acumulado nos 12 meses fechados em fevereiro (anualizado) para o total da indústria avançou 4,8 pontos percentuais em fevereiro (-2,6%), na comparação com o fechamento de 2009 (-7,4%) e todas as áreas pesquisadas registraram avanço.
Nível de poupança
Embora os indicativos da produção industrial assinalem o aumento da demanda, a caderneta de poupança registrou captação líquida (depósitos menos saques) de R$ 538,124 milhões em março. Os depósitos somaram R$ 96,5 bilhões e as retiradas, R$ 95,9 bilhões.
Com o resultado, o saldo acumulado passou de R$ 325,7 bilhões para R$ 327,8 bilhões. Os rendimentos creditados somaram R$ 1,622 bilhão. Os dados são do Banco Central.