Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Caos em Gaza leva premiê palestino a pedir renúncia

O primeiro-ministro palestino, Ahmed Qurie, apresentou seu pedido de demissão no sábado, após se queixar do caos na Faixa de Gaza que levou a sequestros cometidos por homens armados que exigiam o fim da corrupção nas forças de segurança. (Leia Mais)

Domingo, 18 de Julho de 2004 às 06:12, por: CdB

O primeiro-ministro palestino, Ahmed Qurie, apresentou seu pedido de demissão no sábado, após se queixar do caos na Faixa de Gaza que levou a sequestros cometidos por homens armados que exigiam o fim da corrupção nas forças de segurança.

Mas o presidente Yasser Arafat rejeitou a renúncia de Qurie e determinou uma reformulação da segurança em Gaza, onde os problemas se somam ao temor de convulsões por causa do plano israelense de desocupação militar da área.

Arafat está sob crescente pressão interna e externa para demitir autoridades acusadas de corrupção e reordenar os órgãos de segurança, mas tais mudanças podem diminuir o seu poder. Promessas anteriores de reformas trouxeram poucos resultados.

Falando após uma reunião do gabinete, o primeiro-ministro Qurie deu a entender que não deixaria o cargo se conseguisse o que queria. O ministro Azzam Al Ahmad afirmou que "haveria uma nova posição" se as medidas de Arafat se mostrarem satisfatórias.

"Haverá uma nova reunião na segunda-feira para vermos onde estamos", disse Qurie a jornalistas.

Gaza mergulha cada vez mais na anarquia. Na sexta-feira, homens armados tomaram quatro franceses e dois palestinos como reféns para exigir o fim da corrupção nas forcas de segurança. Todos foram soltos ilesos.

Em uma aparente resposta às exigências, Arafat demitiu o chefe de polícia de Gaza e indicou um primo seu, o general Mussa Arafat, para supervisionar a atuação das forças de segurança na região. Ele também anunciou que 12 serviços de segurança serão agrupados em três.

Mas aparentemente isso não contentou aos sequestradores, e milhares de pessoas fizeram uma passeata na Cidade de Gaza contra as mudanças anunciadas por Arafat, que, no entender da multidão, não terá efeitos práticos.

"Não à corrupção, sim à reforma e à mudança", gritavam ativistas da facção Fatah, do próprio Arafat, enquanto atiradores da sua ala militar, as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, faziam disparos para o ar.

A violência em Gaza vem crescendo porque os militantes querem consolidar sua influência, à espera da retirada de tropas e colonos judeus da região, que o governo de Israel quer fazer até o final de 2005.

Antes de divulgar seu pedido de demissão, Qurie disse a jornalistas em Ramallah, a capital palestina na Cisjordânia, que Gaza, sob estado de emergência, está em "um estado de caos sem precedentes".

O ministro israelense da Justiça, Yosef Lapid, disse que o pedido de demissão de Qurie é "apenas um sintoma da desastrosa situação causada por Arafat". Israel se recusa a negociar com o presidente palestino, acusando-o de fomentar a violência, o que Arafat nega.

"Se ele (Arafat) não estivesse por aí, poderíamos conversar com (Qurie) e atingir algum acordo que seria aceito tanto por palestinos quanto por israelenses", disse Lapid à Reuters.

As autoridades palestinas dizem que os constantes bombardeios e incursões militares de Israel minam a capacidade de Arafat de promover reformas e conter os militantes.

Um importante assessor de Arafat disse à Reuters que os problemas em Gaza são "uma conspiração dos partidos que queriam enfraquecer a Autoridade Palestina e mostrar que ela está desabando".

Qurie, também conhecido como Abu Ala, assumiu o poder em novembro. Ele era visto na época como um político mais inclinado às vontades de Arafat do que seu antecessor, Mahmoud Abbas, que renunciou após perder uma disputa de poder com o presidente.

Simpatizantes armados de Mussa Arafat, que acumulará a nova função com a de comandante da inteligência militar na Faixa de Gaza, fizeram disparos para o alto comemorando o aumento dos seus poderes.

Mas milhares se manifestaram contra o general nas ruas da Cidade de Gaza. Os militantes que haviam sequestrado o chefe de polícia local, Ghazi Al Jabali, condenaram as decisões de Yasser Arafat.

"Com todo o respeito devido ao presidente Arafat, a Autoridade Palestina não pode continuar sendo monopolizada por ele e seus parentes", disse Abu Iyad

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