Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Candidatos investem alto na disputa da Câmara

O acirramento da disputa pela presidência da Câmara incluiu um novo elemento na corrida pela sucessão do petista João Paulo Cunha (SP). Antes restrita aos que disputavam os demais cargos da Mesa Diretora, agora a propaganda faz parte também do dia-a-dia de três dos cinco candidatos ao comando da Casa Legislativa. (Leia Mais)

Domingo, 06 de Fevereiro de 2005 às 12:54, por: CdB

O acirramento da disputa pela presidência da Câmara incluiu um novo elemento na corrida pela sucessão do petista João Paulo Cunha (SP). Antes restrita aos que disputavam os demais cargos da Mesa Diretora, agora a propaganda faz parte também do dia-a-dia de três dos cinco candidatos ao comando da Casa Legislativa.

E, como em toda campanha, esta não é diferente quanto ao volume de recursos que está sendo movimentado. A quantidade de cartazes, banners, galhardetes espalhada não só pelos corredores da Câmara sinaliza que os gastos não são nada modestos.

Apesar de o Congresso Nacional estar em recesso e os parlamentares só terem desembarque previsto para o dia da eleição da Mesa Diretora - 14 de fevereiro - os funcionários da Câmara e os poucos deputados que aparecem em Brasília esbarram pelo material de propaganda dos concorrentes, espalhados por todos os lados.

Com a proximidade do pleito, o volume de propaganda que pretende atrair a atenção de 513 eleitores cresceu de tal forma que o atual presidente da Câmara teve que intervir. "Pedi aos candidatos para que não poluíssem muito os locais mais públicos, como o Salão Verde", explicou.

Se nas áreas comuns - que incluem o plenário da Casa, aberto durante o recesso somente para sessões solenes previamente marcadas - a propaganda foi reduzida para atender ao apelo do presidente João Paulo, no restante da Câmara a briga por espaço é grande.

São banners, galhardetes, botons, folders e cartazes por todos os lados. A justificativa para tanta publicidade numa cidade vazia, segundo assessores da Casa, é a conquista dos votos dos indecisos "tão logo pisem no Salão Verde".

O candidato oficial do PT, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) - que nem precisaria fazer propaganda caso o princípio da proporcionalidade fosse realmente obedecido pelos partidos - optou pela propaganda clássica: banners, cartazes e galhardetes para serem pendurados nas portas dos gabinetes dos aliados.

Com o slogan "Para a Câmara continuar mudando o Brasil", o petista faz campanha dentro e fora de Brasília. Mesmo no Carnaval, Greenhalgh e sua equipe prometem continuar trabalhando em busca de votos. A estratégia é disparar interurbanos para conquistar os ainda indecisos, mesmo que isso signifique interromper a festa de algum parlamentar folião.

O dissidente petista, Virgílio Guimarães (MG), garantiu, além dos cartazes e camisetas que são usadas por funcionários dos gabinetes dos deputados que financiam sua candidatura, a instalação de um banner gigante no gramado da Câmara em frente ao Congresso Nacional. O espaço tradicionalmente é ocupado por manifestantes e passeatas e comícios contra o Governo.

Tanta propaganda, viagens, hospedagens, telefonemas levantam suspeitas sobre quem está pagando a conta. O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (PE), sugeriu a realização de uma auditoria para averiguar a origem do dinheiro por trás das campanhas.

- Precisamos saber de onde vem todo esse dinheiro porque no momento em que estamos discutindo o financiamento público de campanha vemos esse festival de gastos com candidaturas aqui dentro. Isso preciso ser apurado - pondera.

Em qualquer eleição, seja minoritária ou majoritária, os candidatos são obrigados pela legislação a prestar contas sobre a origem do dinheiro usado na campanha ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já nas eleições no Congresso a regra não existe.

No Congresso, os candidatos sequer divulgam seus gastos. Luiz Eduardo Greenhalgh, por exemplo, segundo seu gabinete, estima gastar R$ 180 mil. A conta é paga pelo PT, que não confirma o valor. A informação oficial é apenas a de que a direção nacional do partido é responsável pelas despesas com transporte, hospedagem, alimentação e material publicitário.

A campanha de Virgílio Guimarães é custeada pelas doações dos integrantes do movimento Câmara Forte e coordenada pelo petebista Ricarte Freitas (MT). Cada

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