Se perfeição fosse regra básica para vencer eleição os candidatos estariam perdidos. Tropeços em um terreno delicado como a disputa presidencial podem ser fatais e perseguiram tanto Dilma Rousseff (PT) quanto José Serra (PSDB) na corrida para o Planalto.
É difícil medir o alcance de um desvio, mas alguns chegam a segurar um passo vitorioso. Do lado dilmista, um erro flagrante colaborou para impedir a candidata de vencer no primeiro turno, como apontava parcela das pesquisas.
O QG da candidata não reagiu a tempo à forte campanha via Internet que visava à desconstrução da imagem de Dilma, no que foi considerada por especialistas a campanha presidencial mais negativa dos últimos anos.
Questões morais, como a legalização do aborto e do casamento entre homossexuais foram exploradas à exaustão em emails apócrifos enviados a eleitores com a afirmativa de que Dilma pretendia trilhar este caminho. Colocadas na sociedade, as questões acenderam o alerta da Igreja Católica e de lideranças evangélicas.
– O PT não estava preparado para esta guerra na Internet e não sabia responder. Faltou preparo para a guerrilha –, disse o cientista político Marcus Figueiredo, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ.
Do lado tucano, Serra enfrentou desgaste na escolha do vice da chapa. Para começar, deixou o anúncio do companheiro de chapa para depois da convenção tucana que homologou seu nome.
Em um primeiro movimento, deixou vazar que seria o senador tucano Alvaro Dias sua primeira opção. Mas devido à forte reação do DEM, cedeu ao aliado ao escolher um deputado jovem e pouco conhecido, Indio da Costa, para surpresa do cenário político.
Para o professor Marcus Figueiredo, foi uma tentativa infrutífera de Serra de se afastar do DEM.
Veja a seguir os principais erros e acertos dos dois candidatos.
DILMA ROUSSEFF
Acertos
* Colar sua imagem na do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a forma encontrada para se tornar conhecida e mostrar ao eleitor que representava a continuidade.
Com popularidade de mais de 80%, Lula cumpriu este papel e conseguiu transferir para a candidata uma alta porcentagem de sua aprovação. Segundo analistas, a vantagem deste procedimento foi bem maior do que a insinuação de que Dilma não teria vida própria, ideias próprias. Ou, como acusou Serra, que ela governaria "na garupa de Lula".
* Começou a campanha com apoio de mais partidos, o que lhe garantiu mais tempo na campanha de rádio e TV. Foram dez legendas no total, contra seis de Serra.
Erros
* O vai e volta de opiniões sobre a descriminalização do aborto: Dilma declarou ser favorável no passado e voltou atrás na campanha. O uso de suas afirmações contagiou religiosos e se tornou o centro de debate eleitoral. Serra explorou a fundo o caso, pelo ângulo da falta de palavra.
Pressionada, a candidata assumiu em carta a evangélicos que não apoiará projetos que pretendam mudar a questão da interrupção da gravidez. Ela continua defendendo que o tema é questão de saúde pública.
* Ter, num primeiro momento, defendido a então ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra. Depois adotou outro discurso, afirmando que saída da ex-braço direito acusada de tráfico de influência era importante para investigações.
* Não ter considerado como concorrente a candidatura de Marina Silva (PV), que conseguiu, no resultado do primeiro turno, quebrar a tese do plebiscito entre Dilma e Serra como pretendia o presidente Lula.
* Também não ajudaram as críticas agressivas do presidente Lula aos meios de comunicação a duas semanas do primeiro turno, que soaram como desejo de controlar a mídia.
JOSÉ SERRA
Acertos
* Marqueteiros da campanha tucana souberam explorar as contradições de Dilma e os escândalos e polêmicas envolvendo seu nome, com a questão do aborto e o caso Erenice.
* Propostas de elevar o salário mínimo de R$ 510 para R$ 600 reais, reajuste de 10% a aposentados e 13o salário aos beneficiários do Bolsa Família foram promessas de última hora bem-vindas ao eleitor.
* Nos debates de TV, usou sua experiência política de 40 anos e em geral se saiu bem. É ponta firme e nem no primeiro confronto do segundo turno, quando Dilma foi mais agressiva e desabafou, perdeu o compasso.
Erros
* Demora em se declarar candidato, com evasivas diárias à imprensa.
* Ter dito que não conhecia Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa paulista que teria sumido com R$ 4 milhões de caixa dois que teria arrecadado para a campanha tucana. Depois Serra veio a público defender o ex-auxiliar.
* Ter usado imagem do presidente Lula na campanha de TV acabou confundindo o eleitor. Uma das principais críticas dos cientistas políticos a Serra nesta eleição é sua tentativa de propor a continuação do governo Lula, sem deixar claro que é de oposição, que é anti-Lula, o que só surgiu nos últimos dias do segundo turno.
Candidatos tropeçaram na corrida pelo Planalto
Se perfeição fosse regra básica para vencer eleição os candidatos estariam perdidos. Tropeços em um terreno delicado como a disputa presidencial podem ser fatais e perseguiram tanto Dilma Rousseff (PT) quanto José Serra (PSDB) na corrida para o Planalto.
Sábado, 30 de Outubro de 2010 às 10:07, por: CdB
Se perfeição fosse regra básica para vencer eleição os candidatos estariam perdidos. Tropeços em um terreno delicado como a disputa presidencial podem ser fatais e perseguiram tanto Dilma Rousseff (PT) quanto José Serra (PSDB) na corrida para o Planalto.
É difícil medir o alcance de um desvio, mas alguns chegam a segurar um passo vitorioso. Do lado dilmista, um erro flagrante colaborou para impedir a candidata de vencer no primeiro turno, como apontava parcela das pesquisas.
O QG da candidata não reagiu a tempo à forte campanha via Internet que visava à desconstrução da imagem de Dilma, no que foi considerada por especialistas a campanha presidencial mais negativa dos últimos anos.
Questões morais, como a legalização do aborto e do casamento entre homossexuais foram exploradas à exaustão em emails apócrifos enviados a eleitores com a afirmativa de que Dilma pretendia trilhar este caminho. Colocadas na sociedade, as questões acenderam o alerta da Igreja Católica e de lideranças evangélicas.
– O PT não estava preparado para esta guerra na Internet e não sabia responder. Faltou preparo para a guerrilha –, disse o cientista político Marcus Figueiredo, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ.
Do lado tucano, Serra enfrentou desgaste na escolha do vice da chapa. Para começar, deixou o anúncio do companheiro de chapa para depois da convenção tucana que homologou seu nome.
Em um primeiro movimento, deixou vazar que seria o senador tucano Alvaro Dias sua primeira opção. Mas devido à forte reação do DEM, cedeu ao aliado ao escolher um deputado jovem e pouco conhecido, Indio da Costa, para surpresa do cenário político.
Para o professor Marcus Figueiredo, foi uma tentativa infrutífera de Serra de se afastar do DEM.
Veja a seguir os principais erros e acertos dos dois candidatos.
DILMA ROUSSEFF
Acertos
* Colar sua imagem na do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a forma encontrada para se tornar conhecida e mostrar ao eleitor que representava a continuidade.
Com popularidade de mais de 80%, Lula cumpriu este papel e conseguiu transferir para a candidata uma alta porcentagem de sua aprovação. Segundo analistas, a vantagem deste procedimento foi bem maior do que a insinuação de que Dilma não teria vida própria, ideias próprias. Ou, como acusou Serra, que ela governaria "na garupa de Lula".
* Começou a campanha com apoio de mais partidos, o que lhe garantiu mais tempo na campanha de rádio e TV. Foram dez legendas no total, contra seis de Serra.
Erros
* O vai e volta de opiniões sobre a descriminalização do aborto: Dilma declarou ser favorável no passado e voltou atrás na campanha. O uso de suas afirmações contagiou religiosos e se tornou o centro de debate eleitoral. Serra explorou a fundo o caso, pelo ângulo da falta de palavra.
Pressionada, a candidata assumiu em carta a evangélicos que não apoiará projetos que pretendam mudar a questão da interrupção da gravidez. Ela continua defendendo que o tema é questão de saúde pública.
* Ter, num primeiro momento, defendido a então ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra. Depois adotou outro discurso, afirmando que saída da ex-braço direito acusada de tráfico de influência era importante para investigações.
* Não ter considerado como concorrente a candidatura de Marina Silva (PV), que conseguiu, no resultado do primeiro turno, quebrar a tese do plebiscito entre Dilma e Serra como pretendia o presidente Lula.
* Também não ajudaram as críticas agressivas do presidente Lula aos meios de comunicação a duas semanas do primeiro turno, que soaram como desejo de controlar a mídia.
JOSÉ SERRA
Acertos
* Marqueteiros da campanha tucana souberam explorar as contradições de Dilma e os escândalos e polêmicas envolvendo seu nome, com a questão do aborto e o caso Erenice.
* Propostas de elevar o salário mínimo de R$ 510 para R$ 600 reais, reajuste de 10% a aposentados e 13o salário aos beneficiários do Bolsa Família foram promessas de última hora bem-vindas ao eleitor.
* Nos debates de TV, usou sua experiência política de 40 anos e em geral se saiu bem. É ponta firme e nem no primeiro confronto do segundo turno, quando Dilma foi mais agressiva e desabafou, perdeu o compasso.
Erros
* Demora em se declarar candidato, com evasivas diárias à imprensa.
* Ter dito que não conhecia Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa paulista que teria sumido com R$ 4 milhões de caixa dois que teria arrecadado para a campanha tucana. Depois Serra veio a público defender o ex-auxiliar.
* Ter usado imagem do presidente Lula na campanha de TV acabou confundindo o eleitor. Uma das principais críticas dos cientistas políticos a Serra nesta eleição é sua tentativa de propor a continuação do governo Lula, sem deixar claro que é de oposição, que é anti-Lula, o que só surgiu nos últimos dias do segundo turno.