O partido oficialista do Peru ficou sem candidato para as eleições presidenciais de 9 de abril, depois da renúncia de Rafael Belaunde devido a divergências na formação da lista de candidatos ao Congresso. Belaunde, filho do ex-presidente Fernando Belaunde, já havia anunciado a possibilidade de desistir por causa de suas tentativas frustradas de retirar os candidatos com má reputação das listas do partido Peru Possível.
Com a renúncia de Belaunde, que foi convidado pelo Peru Possível para concorrer, ficam também sem efeito as candidaturas a primeiro e segundo vice-presidente. O partido do governo só poderá então ter candidatos ao Congresso de 120 cadeiras. O Jurado Nacional de Eleições encerrou as inscrições de candidaturas a presidente em 9 de janeiro, e a apresentação de listas para o Congresso termina em 9 de fevereiro.
- Vou sem pena, porque tem gente muito controversa, e creio que a política é sintonizar com a opinião pública. Pretender desafiá-la implica falta de convicções democráticas ou desprezo pela cidadania, e eu não lido com isso - disse naquarta-feira Belaunde em um programa político na TV.
Ele disse que já comunicou a decisão ao presidente Alejandro Toledo, a quem agradeceu, em "reunião amistosa", por ter sido convidado. O governo de Toledo tem baixa aprovação nas pesquisas, porque os peruanos consideram que o presidente não cumpriu a promessa de gerar trabalho, apesar do avanço econômico sólido do país -- que no ano passado cresceu em 6,3 por cento.
A conservadora Lourdes Flores lidera nas pesquisas, com 30 por cento das preferências, seguida pelo militar reformado de discurso nacionalista Ollanta Humala, que tem 22 por cento, segundo a última sondagem da empresa Apoyo. Haverá segundo turno em 7 de maio se nenhum candidato conseguir mais de 50 por cento dos votos