Cerca de 300 mil pessoas devem circular pela área de exposição da Campus Party Brasil 2009 e outras 4 mil terão se instalado com seus computadores no evento que, neste ano, tem o acesso à internet banda larga mais rápido do mundo, com 10 Gigabytes (Gb). A festa, que começou no dia 19 deste mês e acaba neste sábado na capital paulista, depois de 400 atividades realizadas em 11 áreas de conteúdo, teve ainda uma área de inclusão digital para estimular pessoas que nunca usaram a internet a se integrar à rede.
Para o diretor-geral da Campus Party, Marcelo Branco, o evento é a maior festa da internet, na qual todos os segmentos e comunidades mais ativas se encontram para compartilhar conhecimento e dar visibilidade a tudo aquilo que ocorre diariamente na rede.
– Aqui é a internet de carne e osso, ao vivo. O lema da Campus Party é que a internet não é uma rede de computadores, é uma rede de pessoas. A idéia desse evento é que as pessoas que fazem a internet acontecer possam ter visibilidade, além de aproximar essas pessoas inovadoras, criativas – disse.
Segundo Branco, a alta freqüência das pessoas no evento se deve ao processo de inclusão no Brasil estar acelerado. Em 2003, eram 8% dos brasileiros conectados na internet desde as residências, e atualmente já são 25% dos brasileiros conectados. Se somados outros espaços de acesso à internet como pontos de cultura e lan houses, são 45 milhões de brasileiros conectados.
– A perspectiva é de que até o fim de 2010 tenhamos metade dos brasileiros conectados à internet. Tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo, o Brasil é uma referência no mundo. Nós não devemos nada a qualquer país de primeiro mundo – disse.
A coordenadora do Coletivo Digital, parceiro do Campus Party, Beá Tibiriçá, explicou que na área de inclusão digital funcionam duas maneiras de estimular as pessoas a usarem mais a rede. Geralmente, são pessoas que apenas visitaram o evento por curiosidade ou que foram juntocom alguma associação.
– Uma delas é a inclusão 1.0, voltada para aqueles que nunca acessaram a internet. Nesse caso, os monitores dão uma pequena aula e fazem com que o inciante se familiarize com a máquina e aí ensinam como acessar páginas e criam um endereço de e-mail para o novo usuário – afirmou.
Já no batismo 2.0, o usuário que já sabe navegar participa de oficinas realizadas por parceiros do Campus Party para aprender a utilizar as ferramentas colaborativas, como blogs, redes sociais, sites de conteúdo, além de aprender a navegar com segurança.
– São oficinas para quem já mexe com computador, mas não tem intimidade com as várias alternativas que o computador e a internet oferecemde relacionamento e diálogo por meio da rede – explicou.
Segundo ela, até sexta-feira, 800 pessoas já haviam participado da inclusão 1.0 e até o fim do encontro, neste sábado, devem ser 1,6 mil pessoas. No 2.0, cerca de 200 pessoas por dia. O desafio é fazer com que essas pessoas continuem acessando e interagindo com a internet.
– Para isso, quando os participantes terminam as atividades de 40 minutos, nós localizamos um telecentro mais próximo de sua residência para que ele continue navegando, fazendo os cursos e procurando as atividades. O essencial é que freqüentem um espaço público de acesso e possam desenvolver suas atividades e projetos na internet – disse.
De acordo com o professor e especialista em inclusão digital Sérgio Amadeu, desde sua primeira edição brasileira no ano passado, a organização do evento se preocupa com a inclusão digital, apesar de o encontro ser um evento tecnológico voltado para os hiperincluídos e superusuários de tecnologia da informação e das redes.
– O Campus Party reconhece que o Brasil é um país de contrastes. Assim como temos a comunidade que mais tempo gasta na internet, a maioria da sociedade não tem acesso ainda, mais de 50% da população nunca acessou a rede – analisou.
A organização do evento reservou espaços e momentos para promover discussões a respeito do assunto. Com isso, os diversos atores podem se articular e fazer propostas ao setor público para que se amplie mais rapidamente a banda larga no Brasil.
<i>Campus Party</i> deve receber 300 mil visitantes até este sábado
Sábado, 24 de Janeiro de 2009 às 09:01, por: CdB