Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Campos nega venda de urânio à China

Ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos negou nesta quarta-feira que o Brasil esteja em vias de assinar um acordo com o governo chinês, para fornecimento de urânio não-enriquecido. - O Brasil não participa do mercado de urânio porque importa urânio enriquecido - disse o ministro, lembrando que o país não tem sequer planta para moer o produto nas usinas de Angra I e Angra II. Acrescentou que não interessa ao Brasil vender o urânio não-enriquecido. (Leia Mais)

Quarta, 26 de Maio de 2004 às 07:26, por: CdB

Ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos negou nesta quarta-feira que o Brasil esteja em vias de assinar um acordo com o governo chinês, para fornecimento de urânio não-enriquecido.

- O Brasil não participa do mercado de urânio porque importa urânio enriquecido - disse o ministro, lembrando que o país não tem sequer planta para moer o produto nas usinas de Angra I e Angra II. Acrescentou que não interessa ao Brasil vender o urânio não-enriquecido.

O ministro manteve, durante a visita do presidente Lula à China, entendimentos com autoridades da Comissão de Ciência e Tecnologia para a Indústria e Defesa Nacional (Costind) visando avanços na parceira que os dois países desenvolvemína área cientifica.

- O Brasil tem uma cooperação desde 1982, na área científica e tecnológica com a China, que inclui o setor espacial, biotecnologia e a questão nuclear - informou Eduardo Campos, destacando os avanços na área espacial.

Sobre a questão nuclear o ministro disse que não houve entendimentos para evoluir na cooperação, porque o Brasil estava fazendo um debate sobre o seu programa nuclear. Segundo o ministro, em novembro do ano passado missão preparatória à visita presidencial manifestou o interesse em explorar, com o Brasil, possibilidades de ampliar a cooperação na área de aplicações pacíficas da energia nuclear como radioisótopos para uso médico, agrícola, e segurança de instalações nucleares.

De acordo com Campos, o assunto voltou a ser tratado ontem, e a resposta do governo brasileiro foi de que o assunto só poderia ser tratado após a revisão que vem sendo feita do programa brasileiro. "O Brasil não tomou decisão nenhuma", reafirmou.

Educardo Campos ressaltou que o Brasil assumiu internacionalmente o compromisso de só fazer cooperação nessa área com países que são "responsáveis nuclearmente". Lembrou ainda que a Constituição brasileira proíbe o país de explorar a energia nuclear para fins bélicos.

- A Constituição diz que no Brasil o uso do conhecimento nuclear é para fins pacíficos. Nós só usamos o conhecimento nuclear para geração de energia, para a saúde do povo, como tratamento do câncer, diagnóstico e para irradiamento de alimentos que nós exportamos e que o mundo hoje exige que seja irradiado - destacou.

O ministro da Ciência e Tecnologia alertou que há um mal entendido na notícia sobre o fornecimento de urânio à China.

- Em agosto, se tivermos concluído no governo o programa nuclear, voltaremos a tratar com os chineses ou outros países que respeitem os tratados internacionais, que sejam países responsavelmente comportados em relação à área nuclear - afirmou .

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