A Fazenda Império do Camarão, localizada às margens do Canal das Flechas entre a comporta de controle de nível da Lagoa Feia e o mar, no município de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, com uma área de cinco alqueires, iniciou a produção de camarões. Na primeira despesca de dois dos sete tanques, foram produzidas 13 toneladas da espécie Litopenaeus vannamei, pesando de 9 a 10 gramas por unidade.
O projeto tornou-se possível graças ao Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam), que financiou R$ 1,2 milhão para implantação das instalações, como por exemplo, sistematização dos tanques, comportas de despesca, valas de adução e de descarte de águas, bombas, tubulações, instalações elétricas e outras obras de construção civil indispensáveis à aclimatação das larvas. O autor do investimento é o produtor rural, Eliânio Pereira, que perseguia esse sonho há sete anos, só agora materializado.
A implantação do projeto, em que pese a existência da propriedade e a construção parcial dos tanques, demorou um ano, incluindo, nesse prazo, a vinda de larvas do Nordeste para engorda nos tanques instalados próximos a Barra do Furado. O projeto tem todos os requisitos técnicos indicados por especialistas, assim como licenciamento ambiental e autorização da Serla para uso da água do canal.
Como os tanques foram povoados aos poucos, a primeira despesca vai atingir a produção de três deles. Os dois primeiros foram esgotados durante a semana e um terceiro será explorado nos próximos dias.
Até o final de janeiro, o produtor espera retirar camarões de outros quatro tanques, avaliando uma produção total que pode chegar a 40 toneladas, uma vez que o sétimo tanque equivale a dois dos outros.
Os seis tanques têm mais de l,5 hectares cada um e o maior de todos equivale ao dobro de um tanque padrão. O proprietário acredita que, se as condições dos próximos dias foram favoráveis, principalmente de temperatura mais elevada, a produção total poderá ultrapassar as previsões.
A despesca foi um acontecimento que despertou muito interesse na região produtora, principalmente, por ser um projeto pioneiro. Para esgotar um tanque e retirar sete toneladas de camarões em cada um deles, a fazenda mobilizou 12 pessoas, pois o esgotamento é feito por gravidade e a cada dois minutos são retirados, de um funil especial, mais de dez quilos.
Imediatamente, o camarão é morto no gelo, em seguida lavado, armazenado em caixas próprias com gelo e embarcado. Nessa primeira etapa, o proprietário colocou a produção no mercado logo após a retirada. A produção foi destinada para Campos, Região dos Lagos e Rio de Janeiro.
Por se tratar de um produto uniforme, de tamanho ideal para o mercado, o produtor disse que conseguiu bom preço, até porque a produção de camarões no mar está suspensa. Ele espera que ocorra o mesmo nas próximas despescas, já que a procura continua e, agora, os principais compradores puderam atestar a qualidade dos camarões.
A meta é fazer três engordas a cada 12 meses, mas já se sabe que, no período de temperaturas mais baixas, a densidade de camarões será necessariamente menor, para não comprometer os prazos de manutenção nos tanques. Tempo de engorda, além de três, quatro meses, implica em mais consumo de insumos e, portanto, mais custos para o mesmo volume de produção.
Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026
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