Durante todo o dia de ontem (16), campesinos e campesinas do Distrito de Santa Fé de Veraguas, Panamá, região da América Central, protestaram em frente a Corte Suprema de Justiça para exigir que as empresas responsáveis pela extração de cascalho do Rio Santa Maria, parem com a atividade. O quinto rio mais importante das 52 bacias hidrográficas do país está ameaçado pela empresa de construção de estradas, Bagatrac. As comunidades que ficam ao entorno do rio ficaram surpreendidas pela presença de máquinas que começaram a trabalhar na extração do material.
Os manifestantes questionaram o Ministério do Comércio e Indústria (MITI) por haver concedido permissão para que a empresa Bagatrac fizesse a extração de materiais não metálicos pelo período de um ano e a Autoridade Nacional de Meio Ambiente (ANAM) por conta da aprovação do estudo de impacto ambiental.
A extração se iniciou sem o consentimento prévio da comunidade, que aponta que a "atividade pode ter grandes impactos sobre os ecossistemas e o desenvolvimento das comunidade próximas ao projeto”. Além disso, para além da exploração no Rio Santa Maria existem outros cinco projetos de hidrelétricas em processo e gestão de construção.
Os campesinos ainda "denunciaram que nunca se fez uma consulta às comunidades para outorgar a permissão de extração”. Queixas que são respaldadas pelas autoridades municipais.
Os moradores temem pelos efeitos que a extração possa deixar. "Nós estamos em protesto para frear estes trabalhos, porque não é possível que se faça este dano ao rio Santa Maria; trata-se da quinta bacia de 52, que existem em nível nacional”. Os manifestantes ainda argumentam que estão violando os estudos de impacto ambiental que determinam, através de decretos, sua conservação.
A comunidade expôs sua oposição numa reunião que realizaram na semana passada na área afetada, onde deixaram claro que não permitirão que a empresa Bagatrac continue explodindo este material. O advogado dos campesinos, após reunião com o MICI, afirmou que o ministério se comprometeu a enviar uma equipe para inspecionar a atividade.
Em comunicado, a Rede de Afetados por Hidroelétricas e em defesa dos rios do Panamá, afirma que o Governo continua promovendo uma política energética equivocada, em detrimento dos verdadeiros interesses nacionais. Prova disso é a construção de 20 projetos de hidroelétricas no país.
Por conta dessa política que não atende aos interesses da população, a Rede rejeita e condena a construção de mais projetos hidrelétricos em conflitos sócio-ambientais e assegura que continuam a campanha de conscientização e resistência à hidrelétrica e mineração.