O pedido de demissão relâmpago de Júnior no Corinthians foi a mais rápida saída de um técnico entre as 39 mudanças de treinadores que aconteceram no Campeonato Brasileiro de 2003.
Júnior pediu demissão na noite de segunda-feira, apenas 11 dias depois de assumir o clube paulista com a promessa de formar um time competitivo para 2004. Após duas derrotas para São Caetano e São Paulo, ambas por 3 x 0, o técnico jogou a toalha.
A saída de Júnior foi a segunda demissão após a rodada deste fim de semana. No domingo, o técnico do Flamengo, Oswaldo Oliveira, deixou o time mesmo com vitória por 2 x 1 sobre o rival Vasco.
Oliveira já havia comunicado sua decisão à diretoria flamenguista no sábado à noite.
"Juntando Flamengo, Fluminense, Vasco e São Paulo, tenho 14 meses de salários atrasados", disse o técnico, que reclamou da falta de estrutura do clube carioca.
"A Gávea, hoje, é um lugar difícil de se trabalhar. Não tem aposentos adequados para os jogadores e temos sempre que estar buscando alternativas para o campo de treinamento. Essas coisas que precisam ser revistas."
A situação dos times com as maiores torcidas do Brasil é reflexo da crise vivida pela maioria dos clubes do país.
Dos 24 clubes do Campeonato Brasileiro, apenas cinco não trocaram de técnico - os três primeiros colocados Cruzeiro, Santos e Coritiba, respectivamente, além do sétimo, o Internacional, e do 18o, a Ponte Preta.
Wanderley Luxemburgo, Emerson Leão, Bonamigo, Muricy Ramalho e Abel Braga já podem se considerar vencedores, já que desde o final de março, quando a competição teve início, foram 39 mudanças.
O Grêmio, em último lugar na tabela, está em seu quarto técnico. Passaram pelo time gaúcho Tite, Darío Pereyra, Nestor Simionatto e agora Adílson.
"Não era para ocorrer com a intensidade que está ocorrendo. Mas isso se faz num futebol sem segurança e desorganizado. Trabalhei na Espanha e lá o clube para demitir um técnico tem de pagar todos os compromissos acertados, mas há um sindicato forte e uma liga que coordena isso tudo. Aqui não tem liga, cada federação faz o que quer e os treinadores não têm essas garantias", disse o técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, à Rádio Brasil recentemente.