Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

Campeão e jogador de seleção, Gil Baiano inicia carreira de treinador

Sexta, 22 de Julho de 2011 às 12:49, por: CdB

Douglas Sato
Especial para o site da FPF

Revelado pelo Guarani o lateral-direito foi um dos principais ídolos do Bragantino nos anos 90. José Gildásio Pereira de Matos, mais conhecido como Gil Baiano, de 53 anos relembrou sua carreira nas quatro linhas até o excelente trabalho que vem realizando à frente de uma das equipes mais competitivas da Segunda Divisão do futebol paulista. O atual comandante do Olé Brasil revelou um carinho especial pelo clube de Bragança Paulista, exaltou sua passagem pelo Palmeiras na época da Parmalat, além de comentar sua participação na Seleção Brasileira comandada Falcão.

Depois de quatro temporadas pelo Guarani o lateral acabou sendo envolvido em uma troca polêmica com o Bragantino em 1988. O clube campineiro, disposto a ter o zagueiro Vitor Hugo, liberou para o de Bragança Paulista o lateral Gil Baiano, os zagueiros Júnior e Nei, o meia Zé Rubens, o volante Mauro Silva e o atacante Mário.

Em 1990, atuando pelo Bragantino ao lado da base oriunda do Guarani e com Vanderlei Luxemburgo no comando, o clube de Bragança Paulista garantiu o título mais importante da sua história: o Campeonato Paulista. No mesmo ano o lateral estreou pela Seleção Brasileira, na época comanda por Paulo Roberto Falcão. No ano seguinte, ainda na equipe, Gil foi treinado por Carlos Alberto Parreira, e por pouco não conquistou o Brasileirão, perdendo a final em casa para o São Paulo.

Depois de cinco anos de Bragantino, Gil Baiano teve seu passe negociado com um grande time paulista. O lateral vestiu a camisa do Palmeiras, mas não conseguiu repetir as boas atuações no clube da capital. Mesmo assim, foi Campeão Brasileiro de 1993 além de ganhar o Paulista de 1994. No mesmo ano foi para o Vitória (BA), no ano seguinte passou pelo Paraná e em 1996 teve a chance de defender o Sporting de Lisboa (POR), onde ficou durante dois anos.

Em 1998, defendeu o Ituano e mais uma vez o Paraná Clube, no ano seguinte ainda como jogador, voltou ao Bragantino. Em 2002 se aposentou pelo clube e em meados de 2010 assumiu o cargo de treinador do Olé Brasil.

FPF: Como foi seu início no futebol?
Gil Baiano: Meus primeiros passos foram nas categorias de base do Guarani, clube que me projetou para o futebol, que me deu a primeira oportunidade de jogar. Graças a boa estrutura da época consegui me tornar um jogador que teve muitas oportunidades no cenário nacional do futebol, joguei em grandes equipes graças ao que aprendi em Campinas.

FPF: Qual foi sua maior emoção dentro das quatro linhas?
Gil Baiano: Foi quando fui convidado a participar do jogo comemorativo dos 50 anos do Pelé na Seleção Brasileira. Jogar ao lado dele foi uma das maiores emoções como jogador de futebol. Porém, não posso esquecer da campanha do titulo do Bragantino no Paulistão de 1990.

FPF: Como foi sua decisão na hora de pendurar as chuteiras?
Gil Baiano: Quando cheguei aos 32 anos já tinha uma ideia remota de parar de jogar, essa ideia foi amadurecendo até retornar para o Bragantino em 1999. Resolvi dedicar mais três anos da minha vida ao clube e pendurei minhas chuteiras em 2002 pelo clube de Bragança, onde consegui visibilidade para grandes oportunidades na minha vida.

FPF: Qual foi seu principal desafio como jogador?
Gil Baiano: Acredito que tenha sido o fato de conseguir me manter sempre em alto nível, o futebol é um esporte muito desgastante para o corpo e jogar em alto nível sempre é complicado. Durante todos os meus anos de futebol sempre me dediquei a manter sempre minha melhor forma, para conseguir dar o meu melhor.

FPF: Em que técnico você se assemelha?
Gil Baiano: Acredito que sou uma mistura de vários treinadores que passaram na minha vida. Vanderlei Luxemburgo, Carlos Alberto Parreira, Paulo Roberto Falcão dentre outros. Quando decidi me tornar treinador procurei usar um pouco de todos os ensinamentos deles ao longo da minha carreira. Agora no Olé Brasil uso conceitos e técnicas que aprendi lá em meados dos anos 90.

FPF: Quem foi o seu principal mentor?
Gil Baiano: Depois de pendurar as chuteiras acabei virando auxiliar técnico do ex-atacante Luis Miller, quando ele treinava o Fortaleza, foi uma pessoa que ajudou muito a entender o posicionamento tático de uma equipe. Com ele adquiri muita experiência em lidar com o grupo, lidar com a pressão de trabalhar em um clube grande, além de ser um estrategista nato.

FPF: Qual foi o principal jogador que você já Jogou?
Gil Baiano: No Palmeiras durante a época da Parmalat tive a oportunidade de jogar com muitos craques: Evair, Cesar Sampaio, Edmundo, Zinho dentre outros craques da época. Quando jogava pelo Bragantino Alberto era um dos jogadores fora de série, João Santos sensacional nas quatro linhas. Durante minha carreira tenho certeza que joguei com muitos outros, mas estes citados foram especiais devido aos títulos que conquistamos juntos.

FPF: Que jogador você já treinou e vê um grande futuro para ele?
Gil Baiano: Na minha carreira recente me deparei aqui no Olé Brasil, com o zagueiro camaronês Vincent Bikana que atuou pela seleção camaronesa nesse ano e também pelo Corinthians na Taça São Paulo de Futebol Júnior. Ele se destacou pela força física, é rápido e organizava bem o time no setor defensivo. Infelizmente ele não deu sequência ao seu trabalho aqui no Olé Brasil e se transferiu para o Xamax da Suíça.

FPF: Qual o seu título mais importante?
Gil Baiano: Como treinador ainda não possuo nenhum. Mas, como jogador, não tenho como deixar de exaltar Paulistão de 1990 pelo Bragantino. Naquela época o time voava em campo, jogamos bem todos os jogos, até por isso fomos recompensados com o titulo da competição. Até hoje em Bragança quando saio na rua os torcedores me agradecem por ter levado a taça para um clube tão tradicional do interior.

FPF: E quel foi o Clube que mais te marcou?
Gil Baiano: Sem duvidas o Bragantino, mas tenho boas lembranças de quando joguei pelo Paraná clube e pelo Palmeiras. O Bragantino de longe foi o clube em que mais me dei bem na minha carreira em termos de forma física, disposição, atuação. No Palmeiras a equipe era muito boa então não tinha muito destaque, no Paraná consegui bons resultados e até por isso tenho certa simpatia pelo clube.

FPF: Quais são os seus projetos para o futuro?
Gil Baiano: Quero fazer história no Olé Brasil. Penso em levar o clube para a segunda fase da competição. O Olé Brasil já faz parte da minha vida e vou retribuir da melhor forma possível, espero que com um título esse ano. Não posso prever o futuro, mas com certeza quero contribuir muito para esse clube que abriu as portas para essa minha nova empreitada.

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