Rio de Janeiro, 02 de Fevereiro de 2026

Campanhas vão mostrar perigos e prejuízos da pirataria

Depois de intensificar a repressão ao contrabando de produtos falsificados, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), vinculado ao Ministério da Justiça, vai apostar na conscientização dos consumidores para diminuir o comércio de artigos ilegais. A informação foi dada pelo presidente do CNCP, Luiz Paulo Barreto. (Leia Mais)

Quinta, 28 de Junho de 2007 às 08:47, por: CdB

Depois de intensificar a repressão ao contrabando de produtos falsificados, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), vinculado ao Ministério da Justiça, vai apostar na conscientização dos consumidores para diminuir o comércio de artigos ilegais. A informação foi dada pelo presidente do CNCP, Luiz Paulo Barreto.

O desenvolvimento de campanhas educativas faz parte da segunda etapa de atuação do conselho, criado em dezembro de 2004 e que, de acordo com o Ministério da Justiça, está obtendo sucesso no combate à pirataria. - De lá para cá, reduzimos em 70% a entrada de produtos piratas por Foz do Iguaçu, fronteira com o Paraguai, e aumentamos em 30 vezes o número de prisões da Polícia Federal por pirataria - destacou Barreto. - Agora é hora de partirmos para novas ações - acrescentou.

Segundo Barreto, as campanhas procurarão esclarecer a população que a compra de produtos piratas alimenta o crime organizado e traz prejuízo para a economia. - As pessoas não têm consciência de que o barato sai caro para a sociedade - avaliou.

O presidente do CNCP revelou alguns números sobre os efeitos da pirataria. Ele disse que os produtos falsificados são responsáveis pela eliminação de 2 milhões de empregos formais no país, além de representarem R$ 30 bilhões a menos de arrecadação para os cofres públicos a cada ano. - Cada camelô que vende um artigo pirata tira de oito a dez postos de trabalho - estimou.

Outra conseqüência da pirataria, salientou Barreto, é o estímulo ao crime organizado. - O consumidor precisa ter noção de que essa atividade costuma estar ligada ao tráfico de armas e de drogas. A compra de um CD pirata, muitas vezes, financia a insegurança e a violência - acrescentou.

Responsável por pelo menos 75% do consumo de pirataria, os jovens de 15 a 24 anos serão o principal foco das campanhas do CNCP. - Por uma questão de status, de querer manter as aparências, os jovens são os grandes compradores de artigos piratas, independentemente da classe social - explicou Barreto. Segundo ele, as ações para essa faixa etária se concentrarão em fazer o jovem sentir vergonha de consumir um bem falsificado.

Além de agir sobre os consumidores, o órgão responsável pelo combate à pirataria negociará com as empresas a criação de incentivos para a compra de produtos legalizados por preços mais baixos. - Estamos negociando com as indústrias para que elas criem linhas populares e baratas para atrair o maior número possível de compradores - disse Barreto. - Até por uma questão de sobrevivência, as empresas têm de aprender a trabalhar em grande escala para ganhar clientes fiéis -.

Para atrair o público jovem, o conselho sugeriu às empresas a criação de descontos especiais para estudantes na compra de produtos audiovisuais, publicações e vestuário. - Por que um estudante que paga menos para ir ao cinema não pode adquirir um CD, um livro ou um tênis por um preço menor? - questionou.

O CNCP promoveu nesta quarta-feira um curso de capacitação de agentes de segurança do Distrito Federal no combate à pirataria. Ao todo, 120 policiais civis, militares e agentes da Secretaria de Fazenda do DF aprenderam a identificar produtos pirateados e aprenderam sobre as principais rotas de contrabando. Realizado em parceria com o Grupo de Proteção à Marca, a Associação Brasileira das Empresas de Software e a Associação Antipirataria Cinema e Música, o curso já foi ministrado a policiais de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e aos agentes de vigilância dos portos.

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