A Campanha Nacional Criança Não é de Rua apresentourecentemente, em seu site, o lançamento de uma carta aberta que questionaalguns pontos da pesquisa Censitária Nacional sobre Crianças e Adolescentes em situaçãode rua, de iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) e do Instituto deDesenvolvimento Sustentável (IDEST). Em alguns casos "a pesquisa não refletenem de longe a realidade qualitativa”, diz um dos trechos da carta.
A princípio, a iniciativa da SDH e IDEST foibastante elogiada pela coordenação nacional da Campanha e apontada como umapesquisa inédita, no entanto delimitam os números que não se aproximam da realidadeexistente hoje no país no tocante a situação de crianças e adolescentes emsituação de rua, segundo opinião de Bernardo Rosemeyer, secretário nacional da CampanhaCriança Não é de Rua.
A pesquisa identificou 23.973 crianças eadolescentes em situação de rua no Brasil. Um dos itens da pesquisa indica que 52,2%dormem somente em casa da família, 23,2% somente na rua. Para cada duascrianças e adolescentes que "somente dormem na casa de família”, há uma criançae adolescente que "somente dorme na rua”, diz a carta.
Bernardo critica esses resultados afirmando que "apesquisa não abrangeu todo universo da realidade e esse número é bem maior”. Notocante ao público infanto-juvenil que trabalha na rua, por exemplo, a pesquisadeixou a desejar.
Sobre as 7.927 crianças e adolescentes em situaçãode pernoite, apontadas pela pesquisa, a coordenação da Campanha avalia como satisfatóriaa aproximação dos resultados. Para Bernardo, esse número desconstrói de certaforma, "a imagem de que no Brasil existam milhões de crianças morando nasruas”.
"Uma política nacional de assistência às crianças esuas famílias que sofrem essa dura realidade, estimulando a promoção de umaconvivência familiar e comunitária onde as crianças retornem para seu lar precisaser encaminhada com urgência”, afirma Bernardo.
Próximo passo
A pesquisa se transformará em subsídio de grandevalor para a Campanha Nacional, que irá organizar nos estados a apresentaçãodesses resultados em seminários, como âncora política, para atender o perfilpesquisado e a partir daí, construir políticas públicas efetivas.
Independente dos resultados desta pesquisa serádada continuidade ao acompanhamento censitário a partir dos trabalhadosrealizados pelos educadores sociais de rua, que colhem dados e enviam para umbanco de dados supervisionado pelos Conselhos Municipais.
Leia carta no site: http://www.criancanaoederua.org.br