Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Campanha que associa cigarro a sexo oral gera polêmica na França

Terça, 23 de Fevereiro de 2010 às 10:43, por: CdB

Uma campanha antifumo na França que mostra imagens de adolescentes com um cigarro na boca em uma pose que sugere a prática de sexo oral forçado com um homem adulto está provocando polêmica no país.

Associações ligadas à família, aos direitos das crianças e feministas se dizem “escandalizadas” com a associação feita entre o cigarro e o sexo em mensagens dirigidas aos jovens.

A campanha, lançada pela Associação Direitos dos Não Fumantes (DNF), tem como slogan “Fumar é ser escravo do tabaco”. O objetivo da organização é “mostrar que o fumo é uma submissão”.

Nas fotos que sugerem sexo oral, o órgão sexual masculino é substituído pelo cigarro. Os cartazes poderão ser vistos em lugares tradicionalmente frequentados por jovens, como bares e discotecas.

Os publicitários que realizaram a campanha de prevenção reconhecem que o objetivo é chocar a opinião pública.

– Com o cigarro, somos submetidos à pior das submissões, à pior das escravidões. Procuramos a imagem chocante mais emblemática disso. A felação é o símbolo perfeito da submissão –, diz Marco de la Fuente, vice-presidente da agência BDDP, que realizou a campanha antifumo.

"Escandaloso"

Para Christiane Terry, representante da Associação Famílias da França, misturar o vício do fumo e o sexo “é um atalho ridículo e escandaloso”. Ela se diz preocupada “com o baixo nível para defender uma causa justa”.

Organizações ligadas à defesa dos direitos das crianças e adolescentes questionam as consequências que essas imagens podem ter sobre vítimas reais de abusos sexuais.

– Que eu saiba, uma felação não provoca câncer –, disse em entrevista ao jornal Le Parisien Antoinette Fouque, fundadora do Movimento para a Liberação das Mulheres.

– É escandaloso associar o vício do fumo à sexualidade, fazer um paralelo entre uma droga nociva e o desejo sexual. A conotação de violência sexual é inadmissível. É uma campanha sexista –, afirma Florence Montreynaud, presidente da associação feminista Chiennes de Garde.

O presidente da Associação Direitos dos Não Fumantes, Gérard Audureau, reitera que campanhas tradicionais não têm mais surtido efeito e que o consumo de cigarros continua aumentando entre os jovens na França.

– Dizer que o cigarro faz mal à saúde não funciona mais. Utilizar o sexo é uma maneira de atrair a atenção dos jovens. E se for preciso chocar, choquemos –, afirma Audureau.

Aumento

Segundo o Escritório Francês de Prevenção contra o Tabagismo, o índice de adolescentes fumantes na França aumentou, entre 2008 e 2009, de 5% para 8% na faixa etária de 14 anos e de 20% para 22% no caso de jovens de 17 anos. Mas até mesmo autoridades na luta contra o tabagismo questionam a campanha da Direitos dos Não Fumantes.

– Ela vai chocar os adultos e não vai causar medo aos jovens –, diz Bertrand Dautzenberg, presidente do Escritório Francês de Prevenção contra o Tabagismo.

A Associação Famílias da França informou que irá prestar queixa junto a Autoridade de Regulação Profissional da Publicidade. Mas a entidade não tem poder para proibir a campanha, ela pode apenas sugerir a sua retirada.

As associações teriam de levar o caso a Justiça, mas nenhuma, até o momento, informou estar disposta a fazê-lo.

O Ministério da Saúde da França já havia lançado, em 2008, uma campanha de prevenção contra o álcool que mostrava jovens em uma festa na praia, vomitando, se afogando e sugeria violências sexuais decorrentes do excesso de bebida.

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