A campanha Libere um Livro continua a agitar o mundo digital. O objetivo do movimento é que a data de 11 de setembro deixe de representar apenas tragédia e sofrimento - por causa dos atentados nos Estados Unidos há dois anos -, e passe a ser lembrada também pela troca de energia positiva - a doação dos livros.
E nem só os internautas se interessaram. Em Porto Alegre, a Secretaria Municipal da Cultura abraçou a campanha. Desde às 5h30 da manhã de hoje 500 livros foram colocados à disposição da população. Na Praça da Alfândega, no Largo Glênio Peres e Praça XV de Novembro (todos no centro da cidade) as obras foram deixadas em cima de bancos, junto à estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, nos passeios e atraíram bastante gente.
"Na Praça da Alfândega, juntaram-se vários engraxates, cada um com um livro na mão, um mostrando para o outro o que tinha encontrado, foi emocionante", conta o Coordenador do Livro e Literatura da Secretaria, Paulo Bentancur. No ano que vem, a Prefeitura pretende apoiar com mais força a iniciativa.
"Vamos descentralizar a distribuição, ampliá-la e estender para outros locais da cidade", diz Bentancur. Na capital gaúcha, 11 de setembro será, a partir de hoje, o Dia do Livro na Rua.
Em São Paulo, a Secretaria de Cultura do Estado também apóia a campanha. No seu site há uma relação de lugares onde as pessoas podem depositar seus livros - e encontrar outros - na capital paulistana.
Na última segunda-feira, uma busca por "Libere um livro" no Google retornava pouco mais de 10 páginas. Hoje são mais de 40. A campanha é assunto em listas de discussão, sites, caixas postais e blogs Internet afora. Ontem, quinta-feira, véspera do evento, alguns "doadores" já se preparavam para o dia 11.
O arquiteto Luis Carlos Flores, 53 anos, ficou sabendo da campanha ao ouvir um programa de rádio. "Achei muito interessante e resolvi participar", contou. O livro a doar ainda não tinha sido escolhido, nem o local de Porto Alegre, onde mora, para deixar a obra. "Acho que a idéia da campanha é mais ou menos essa, nada muito programado. Vamos ver o que vai acontecer", completou.
Há quem argumente que, se o livro for especial para a pessoa, ela deve é guardá-lo e não largar em qualquer lugar para ser "adotado" por qualquer um. Para o artesão José Weber, 35 anos, a campanha é "uma bobagem, não dá para levar a sério". Ele ficou sabendo do movimento porque a namorada falou a respeito. "Se largar por aí, aposto que um camelô pega para vender depois", aposta.
Já a publicitária Maria Carolina Aragón, 35, recebeu um e-mail sobre a campanha na semana passada e imediatamente aderiu. Enviou para todos os seus contatos na Internet. "Achei muito legal, principalmente num país como o nosso, em que grande parte da população não lê", comentava entusiasmada. Ela não sabia qual livro liberar - "vou escolher, será um desafio" - mas já tinha o local para deixá-lo: o Parque da Redenção, que fica quase no centro da capital gaúcha.