O senador Bob Casey, da Pennsylvania, consignou o seu apoio ao pré-candidato democrata à Casa Branca Barack Obama, nesta sexta-feira e, com isso, conquista o apoio de uma base política disputada com, até então, pela adversária, a senadora Hillary Clinton, com vistas às primárias naquele Estado, em 22 de abril. A cartada é decisiva para o rumo dos candidatos em disputa pela indicação do Partido Democrata naquele Estado e, com a conquista de Obama, fica mais difícil, a cada dia, que a senhora Clinton consiga reverter a sua difícil posição na corrida pela chance de ser candidata à Presidência dos EUA.
Obama conseguiu mais vitórias nos Estados, conquistou mais votos e atraiu mais delegados eleitos para a convenção da legenda, em agosto, em Denver, Colorado, onde se decidirá quem vai enfrentar o senador John McCain, do Partido Republicano, na eleição presidencial, em novembro.
A situação de Hillary, senadora pelo Estado de Nova York, complica-se ainda mais no momento em que se recusa a ver que sua derrota é iminente e tenta passar ao eleitorado a idéia de que está tranquila.
- Como ela pode querer parecer humana sem demonstrar que reage diante das dificuldades - questionou um eleitor de peso.
Hillary acredita que "ainda há uma pequena chance" de vencer a disputa com Obama.
- Ouço isso da boca de algumas pessoas. No entanto, a coisa mais comum que as pessoas me dizem é: 'Não desista, continue lutando. Estamos com você'. E eu me sinto muito bem com isso porque pretendo persistir nesse caminho - disse Hillary, em uma conversa com jornalistas sobre sua possível desistência.
O noticiário político norte-americano, no entanto, é cáustico. Segundo um comentarista do Political News, Hillary "não tem mais praticamente nenhuma chance de vencer", enquanto um colunista do New York Times classifica a campanha da ex-primeira dama como uma "audácia da falta de esperança", em um trocadilho com o livro de Obama The Audacity of Hope (a audácia da esperança).
Em outro duro golpe na campanha da democrata, o governador do Novo México, Bill Richardson, disse nesta sexta-feira que chegou a hora de os democratas unirem-se ao redor de Obama. Em mais um revés, este mês, Hillary viu cair por terra todos os seus esforços para obter os resultados conseguidos nas prévias de Michigan e da Flórida. O diretório nacional do partido não sancionou as vitórias da democrata nesses Estados porque não foram sancionadas as prévias no prazo determinado.
A estratégia - cada vez mais complicada - para a vitória de Hillary está em convencer os superdelegados, na convenção democrata, da qual sairá o candidato da legenda. Ao todo, são 800 supervotos, de autoridades e membros do partido, que têm a liberdade de votar no pré-candidato que desejarem, uma prerrogativa negada aos delegados eleitos nas prévias realizadas em cada Estado. Faltam apenas mais dez prévias para concluir a corrida pela candidatura democrata, Hillary está mais de cem delegados eleitos atrás de Obama e possui poucas chances de reverter esse quadro.
O apoio de um desses superdelegados, o senador Casey, nesta sexta, traduz-se em um apoio de peso na campanha de Obama exatamente porque nenhum dos dois pré-candidatos está perto de conquistar os 2.024 delegados necessários para vencer as prévias, o que faz dos superdelegados o fiel da balança. Ambos os lados cortejam esses eleitores previlegiados com tapete vermelho, embora Obama defenda a tese de que os superdelegados deveriam seguir a vontade dos eleitores democratas.