Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Campanha de Dilma está com o caixa tranquilo, adianta tesoureiro petista

Segunda, 28 de Julho de 2014 às 11:07, por: CdB
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Edinho Silva cumprimenta a presidenta Dilma, em recente evento de campanha no Estado de São Paulo
Tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente do PT paulista Edinho Silva afirmou, nesta segunda-feira, que não tem encontrado dificuldades para arrecadar fundos para a campanha à reeleição da presidenta da República, Dilma Rousseff. Segundo o dirigente petista, mesmo em um cenário de baixo crescimento econômico, com impactos para empresas, a arrecadação tem contado com a iniciativa dos empresários. Apesar do sucesso junto ao empresariado, o tesoureiro e deputado estadual por São Paulo anunciou uma campanha para incentivar a doação de dinheiro por parte de pessoas físicas. – Muitos empresários ligaram e ofereceram contribuições para nós, o que mostra o entendimento de que a crise econômica é globalizada, oriunda da Europa e dos Estados Unidos e nós sofremos com os impactos. Todos entendem que enfrentamos a crise sem penalizar empregos e os programas sociais e sem recessão e ainda que estaremos em uma situação melhor em 2015 – afirmou Silva a jornalistas, nesta manhã, após reunião política no município de Araraquara (SP), cidade governada pelo parlamentar por duas vezes. Edinho garante que "mesmo o setor agroindustrial", cuja maioria dos empresários faz críticas abertas à presidente Dilma "mostra simpatia e tem contribuído" para a campanha à reeleição. No lado dos gastos, o tesoureiro garante que, por meio de cotações de "absolutamente tudo" adquirido para a campanha, tem conseguido descontos de 30% a 40%. A campanha à reeleição de Dilma está estimada em R$ 298 milhões, segundo o tesoureiro. Apesar do otimismo em relação à arrecadação e de garantir a redução nos custos, Edinho evitou falar sobre quanto foi arrecadado até o momento. "Ainda não tenho um balanço", desconversou. Arrecadação alternativa Em 2015, último ano em que as doações de empresas serão permitidas, as coordenações financeiras das principais candidaturas ao Planalto admitem que a arrecadação alternativa continuará tendo aspecto simbólico no financiamento das campanhas. Tesoureiro da campanha do candidato do PSDB, Aécio Neves , o ex-ministro da Justiça José Gregori disse que não está prevista a instalação de nenhum tipo de estrutura para incentivar a doação de pessoas físicas. – Vamos ver o que é possível fazer na internet, mas honestamente vai ser difícil. O resultado é pequeno, quase simbólico, em face dos valores gastos em uma campanha – admite. A expectativa é que o Supremo Tribunal Federal (STF) confirme a proibição de doações de pessoas jurídicas nas eleições – o que valeria somente para o próximo pleito. Em abril, a maioria do STF (6 a 1) votou por proibir doações de empresas a campanhas e a partidos. O julgamento foi suspenso porque o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo. Faltam os votos de quatro ministros. Nos próximos dias, a campanha do candidato do PSB, Eduardo Campos – que tem a ex-ministra Marina Silva como vice -, espera que a plataforma para receber doações online comece a funcionar. Em apenas dois cliques, o internauta poderá realizar uma contribuição financeira para a dupla, via cartão de crédito. Não há, porém, expectativa de que esse tipo de arrecadação seja significativa, pois no Brasil o eleitor não tem a cultura de fazer doações diretas a candidatos. Nas eleições de 2010, quando Marina foi candidata a presidente pelo PV, ela levantou apenas R$ 170 mil com a ajuda da ferramenta. O montante representou 0,7% do total arrecadado, que foi de R$ 24,1 milhões. O PT, segundo Edinho Silva, prepara uma grande campanha de comunicação para incentivar doações de pessoas físicas à campanha da presidente Dilma Rousseff. A campanha será casada com a proposta de reforma política do partido. O PT é a favor do financiamento público exclusivo para campanhas eleitorais, mas é flexível quanto às doações de pessoas físicas. O comitê financeiro terá um site próprio. Nos próximos dias o partido terá uma ferramenta para receber doações nos moldes do sistema pay-pal. Enquanto isso o partido continua usando os métodos tradicionais de arrecadação entre empresários. Na campanha tucana, o principal responsável pela arrecadação propriamente dita será Sérgio de Freitas, ex-diretor do Itaú. Segundo Gregori, o executivo vai atuar em conjunto com amigos de Aécio de Minas Gerais. – Será mais difícil arrecadar em 2014 do foi que em 2010. A situação econômica não é eufórica. Os empresários se queixam da conjuntura. Meu ideal, e ainda vamos chegar nisso, é que a campanha seja financiada exclusivamente por correligionários. Hoje, infelizmente isso não é possível e dependemos dos doadores – afirmou o ex-ministro da Justiça ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo. Apesar de ser crítico do atual modelo, Gregori defende sua legitimidade. – Os doadores distribuem seus recursos entre os candidatos competitivos sem que isso gere uma relação de dependência. Já vi doador ajudar o candidato Y mas depois ir à falência ou pedir concordata – citou. Aliados do candidato do PSB admitem que os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto – que mostram Campos em terceiro lugar na disputa – têm desestimulado doações. Segundo um parlamentar da sigla, empresários que prometeram uma determinada quantia há alguns meses já começaram a rever esses valores diante do desempenho do ex-governador de Pernambuco. No levantamento do Ibope divulgado na semana passada, Campos tinha 8% das intenções de voto, atrás de Dilma e Aécio. Entre os três, é o que prevê fazer a campanha mais modesta. Seu teto de gasto é de R$ 150 milhões – ante R$ 298 milhões da petista e R$ 290 do tucano.
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