Pomar é um dos candidatos à Presidência do PT
Para os fãs da presidenta Dilma Rousseff, que dormem tranquilos sobre as últimas pesquisas de opinião, em confortáveis índices de prestígio que garantem, se a eleição fosse hoje, uma vitória fácil sobre os demais adversários, o petista histórico e candidato do grupo Articulação de Esquerda à Presidência do Partido dos Trabalhadores (PT), Valter Pomar, manda um balde de água fria:
– Não nos iludamos com pesquisas. A campanha de 2014 vai ser duríssima.
Pomar discursou em Brasília, durante mais uma etapa da longa campanha à direção nacional da legenda e afirmou ser necessário mudar de tática para a eleição do ano que vem.
– Não basta estabelecer como objetivo reeleger Dilma. É necessário criar condições para que o segundo mandato dela seja melhor do que o primeiro, assim como fizemos com Lula – afirmou. Foi ovacionado.
Governo conservador
No seio do PT, Dilma Rousseff é alvo de críticas, também dirigidas à aliança com o PMDB. O vice-presidente da República Michel Temer (PMDB) chegou a ser chamado de "sabotador" por um dos concorrentes e a administração de Dilma foi definida como "conservadora" e de causar "instabilidade" econômica no país.
Ao defender o governo e a parceria com o PMDB, o presidente do PT, Rui Falcão, ouviu vaias da plateia e até gritos de "pelego" vindos do fundo do auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde foi realizado o debate. Provável coordenador da campanha de Dilma em 2014, e candidato a novo mandato no PT, o deputado disse ter visto com "muita melancolia" os ataques à administração petista.
– Às vezes dá a impressão de que somos oposição ao nosso governo. Devemos defender o governo da presidenta Dilma e manter a aliança com o PMDB e com os outros partidos da coligação. Qual é a política de alianças que se põe no lugar dessa? – questionou Falcão.
Falcão respondia às críticas a Temer, ao senador José Sarney, ao governador do Rio, Sérgio Cabral, e ao vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli, todos do PMDB.
– Não concordo com a proposta de retirar Filippelli da chapa do governador Agnelo Queiroz (PT) – lamentou Falcão, que foi aplaudido no final de sua fala. Falcão segue como favorito na disputa com o apoio da corrente Construindo um novo Brasil (CNB), majoritária no PT.
Para o deputado Paulo Teixeira (SP), candidato do grupo Mensagem ao Partido, é preciso fazer um "adensamento à esquerda" em eventual segundo mandato de Dilma e de outros governos petistas.
– Não sou daqueles que quer isolar o PT, mas também não podemos dissolver o partido nas alianças – reagiu Teixeira, que é secretário-geral da sigla.
Markus Sokol, candidato da corrente O Trabalho, também discordou.
– Agora vão de novo se agarrar ao órgão do PMDB para não deixar a coalizão naufragar? O vice-presidente da República é um sabotador e agiu contra o plebiscito da reforma política – afirmou.
No auditório cheio de cartazes contra o leilão do pré-sal de Libra, o clima era de encontro estudantil, com torcidas organizadas, aplausos e vaias. A eleição que renovará o comando do PT está marcada para 10 de novembro, em todo o país, com voto dos filiados.
– Dilma privatizou rodovias, portos, aeroportos, o pré-sal e diz que não foi privatização. Não foi? Chamaram a Shell, a Total e as estatais chinesas para morder o nosso petróleo. É um processo de pilhagem – protestou Serge Goulart, candidato da Esquerda Marxista, que defendeu a reestatização de todas as empresas privatizadas.
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