Parentes e amigos de vítimas da violência no Rio de Janeiro participam no fim da tarde deste sábado de uma caminhada e de uma missa pública para lembrar os quatro anos da Chacina da Baixada Fluminense. Durante o episódio, que aconteceu em março de 2005 nas ruas dos municípios de Nova Iguaçu e Queimados, um grupo de policiais matou 29 pessoas e deixou uma ferida. Entre os mortos, havia crianças, estudantes, comerciantes, desempregados e funcionários públicos.
Até agora, quatro policiais foram presos por envolvimento nos assassinatos, um foi absolvido das mortes e condenado por formação de quadrilha, mas já foi solto, e outro aguarda em liberdade o julgamento, também por formação de quadrilha.
Sem esquecer a dor da perda do filho Rafael Silva Couto, a coordenadora do Núcleo de Familiares e Amigos de Vítimas da Violência na Baixada, Luciene Silva, diz que a sociedade não pode apagar da memória cada caso de violência praticada por representantes do Poder Público.
– Esse é um caso emblemático, por isso aproveitamos a data para convocar toda a população do Rio para estar em alerta contra essas práticas. Não podemos esquecer o que aconteceu porque a cada dia vemos mais vítimas da violência. Ontem fui eu, amanhã será outro e não queremos que isso aconteça – afirmou.
De acordo com ela, as comunidades carentes do estado são freqüentemente abordadas por alguns policiais com atos truculentos.
– Muitos policiais entram nas comunidades já com o pensamento de confronto e de prática de guerra, com a intenção de eliminar infratores e pessoas que para eles são semente do mal. É muito mais fácil eliminar o problema do que resolvê-lo – disse.
A coordenadora do movimento elogiou a iniciativa do governo do Rio de promover o policiamento comunitário em alguns locais marcados por casos de violência, como as comunidades Santa Marta, na zona sul do Rio, e Cidade de Deus, na zona oeste da cidade.
A medida tem o objetivo de aproximar a polícia dos cidadãos, promovendo o policiamento por meio da interação dos agentes com os moradores para melhorar a qualidade de vida da população e inibir a criminalidade. Ela destacou, no entanto, que é preciso que essas ações venham acompanhadas da intensificação de políticas públicas voltadas especialmente para as áreas de educação, saúde e moradia.
– Para reverter essa situação é preciso haver, na base, investimentos sérios em políticas sociais, além da conscientização das autoridades da necessidade de se respeitar os direitos humanos em cada comunidade – defendeu.
A mobilização deste sábado está marcada para as 18h30, na Praça Nossa Senhora da Conceição, em Queimados. Na próxima terça-feira, a partir das 7h30, será promovida uma nova caminhada pelas ruas onde houve a chacina, em Nova Iguaçu.
Caminhada lembra os quatro anos da Chacina da Baixada Fluminense
Sábado, 28 de Março de 2009 às 14:38, por: CdB