Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Cameron reúne gabinete do primeiro gabinete de coalizão em décadas

Quinta, 13 de Maio de 2010 às 08:40, por: CdB

O recém-nomeado premiê britânico, David Cameron, reuniu nesta quinta-feira, pela primeira vez, seu novo gabinete. O encontro foi um esforço para reforçar o clima de "propósito único" do primeiro governo de coalizão britânico em décadas, que uniu conservadores (centro-direita) e liberais democratas. Cameron presidiu a reunião, sentado de frente de seu vice, o líder dos liberais democratas, Nick Clegg.

No novo governo, há 18 ministros conservadores e cinco liberais democratas. Os dois partidos formalizaram a coalizão na terça-feira, a primeira no Reino Unido desde a Segunda Guerra, depois que as eleições parlamentares produziram um Parlamento sem maioria absoluta. Os conservadores obtiveram 306 cadeiras, contra 258 dos trabalhistas e outras 57 dos liberais democratas --são necessários 326 parlamentares para um governo sem coalizão.

Entre os primeiros atos do novo gabinete, que já decretou o combate ao deficit prioritário, está o corte de 5% dos salários do governo e seu congelamento por cinco anos --o que o governo diz que poupará US$ 450 mil anuais. A medida deixa o primeiro-ministro com um salário anual de 142 mil libras, além de 65 mil libras como legislador. Outros ministros ganham pouco menos.

A maioria dos novos ministros, aparentemente contagiados com o espírito de mãos à obra de Cameron, deixou a sede do governo sorrindo.

– Parece que trabalhamos juntos há anos – disse o secretário de Trabalho e Pensão Iain Duncan Smith.

Os conservadores e liberais democratas passaram quase uma semana negociando os parâmetros do acordo de coalizão, que resultou em concessões dos dois lados. Os liberais democratas conseguiram avanços rumo a sua prioritária reforma do sistema eleitoral, hoje um engessado sistema bipartidário, com base no voto distrital puro. Já os conservadores, normalmente opostos aos novos colegas, conseguiram manter algumas das plataformas mais essenciais, incluindo o corte no gasto público como forma de reduzir o deficit do país.

Duncan Smith disse que a principal tarefa do governo era "colocar a economia de volta aos trilhos". Um levantamento da BBC com economistas que assessoram o Departamento do Tesouro mostra que a previsão é de que o governo vai aumentar os impostos sobre as vendas para reduzir o deficit de US$ 236 bilhões. A maioria dos entrevistados prevê um aumento dos atuais 17,5% para 20%, até o fim de 2011. Mesmo durante a campanha, nenhum dos partidos teve coragem de negar que é inevitável aumentar o imposto sobre bens e serviços.

Cameron e Clegg também prometeram reformas profundas no Parlamento, nas leis de defesa das liberdades civis e nos laços com a Europa. O Partido Trabalhista, relegado à oposição depois de 13 anos no poder, enfrenta agora uma disputa pela liderança, com a renúncia do ex-primeiro-ministro Gordon Brown. Até agora, apenas o ex-ministro de Relações Exteriores David Miliband anunciou a sua candidatura. Outros devem surgir em pouco tempo, incluindo, talvez, seu irmão, Ed Miliband. A nova eleição deve ser realizada em setembro, na conferência trabalhista.

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