Rio de Janeiro, 11 de Agosto de 2026

Câmbio, juros, meta, inflação...e uma inflexão

Quinta, 31 de Março de 2011 às 08:36, por: CdB

A discussão sobre inflação e as análises do Banco Central (BC) são importantíssimas hoje, já que revelam a inflexão que a instituição decidiu adotar em relação à inflação. Esta é, efetivamente, uma política mais adequada ao país. Sem falar nas medidas prudenciais e de restrição ao crédito tomadas pelas autoridades monetárias.

O Banco, de acordo com entrevista-análise de um de seus diretores, o de Política Econômica, Carlos Hamilton, considerou para essa inflexão que com a inflação, em 12 meses, em torno de 6%, a ação para conter a alta dos preços precisa ser "mais suave".

Daí, a inflexão política e anuência que a inflação fique acima do centro da meta de 4,5%, em 2011, para incorporar os efeitos da alta recente no preço das commodities, sem provocar uma forte desaceleração da economia. O BC acredita que as ações já adotadas pelo governo para conter o crescimento - como o aumento dos juros - serão suficientes para trazer a inflação de volta a esse patamar em 2012.

Taxa de câmbio continua a ser a principal questão


Agora, a principal questão neste momento é a taxa de câmbio. O fluxo cambial neste mês (até o dia 25pp.) está positivo em US$ 10,517 bi, resultado do comércio também positivo - atingiu US$ 1,917 bi (exportações de US$ 15,499 bi e importações, US$ 13,582 bi).

Já o fluxo financeiro positivo atinge US$ 8,601 bi - entraram no país US$ 29,873 bi e saíram US$ 21,273 bi. Se avaliarmos desde o começo do ano até o mesmo período (25 de março), o fluxo cambial é positivo em US$ 33,450 bi, resultante de um fluxo comercial favorável de US$ 2,496 bi e de um saldo positivo pelo segmento financeiro de US$ 30,954 bi.

Esta é uma taxa, um dado, influenciado - e muito - pelos juros e pela situação internacional. Ela continua caindo de forma assustadora para o setor exportador e para as contas externas, já que barateia as importações (que não param de crescer), aumentando nossas despesas no exterior.

Afinal, se é fato que a entrada de capitais continua positiva e sustenta o déficit em conta corrente, também é fato que nossa indústria cada vez mais se ressente do câmbio valorizado. Este é um risco que o país não deve e não tem que correr.

 

Tags:
Edições digital e impressa