Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Camas de bronzeamento artificial são cancerígenas

Um estudo da Agência Internacional de Pesquisas do Câncer indica que as camas e lâmpadas ultravioletas de bronzeamento artificial são cancerígenas. A pesquisa eleva esses equipamentos ao nível mais alto dos cancerígenos, ao lado do gás mostarda e do arsênio. (Leia Mais)

Quarta, 29 de Julho de 2009 às 09:40, por: CdB

Um estudo da Agência Internacional de Pesquisas do Câncer (IARC, na sigla em inglês) indica que as camas e lâmpadas ultravioletas de bronzeamento artificial são cancerígenas.

Anteriormente, a Agência, que faz recomendações à Organização Mundial de Saúde, classificava esses aparelhos de bronzeamento artificial como "prováveis cancerígenos". 

A pesquisa, publicada na edição desta quarta-feira da revista científica Lancet Oncology, eleva esses equipamentos ao nível mais alto dos cancerígenos - conhecido como grupo 1, ao lado do gás mostarda e do arsênio, por exemplo.

A decisão de alterar a categoria da exposição às lâmpadas a e à radiação dos equipamentos de bronzeamento artificial foi feita a partir da análise de 20 estudos sobre a relação entre o uso desses aparelhos e o risco de desenvolver o câncer.

Segundo os resultados, o uso dos equipamentos de bronzeamento artificial aumenta em até 75% o risco de desenvolver o melanoma - a forma mais fatal do câncer de pele - em pessoas que começam a usar os aparelhos antes dos 30 anos.

A Sunbed Association, que representa empresários do setor, afirma que não há provas da relação entre o uso responsável das camas de bronzeamento e o câncer de pele.

Apesar disso, ativistas contra a prática acreditam que a decisão da IARC poderá aumentar a pressão para uma maior regulação da indústria sobre o uso desses aparelhos.

A Sunbed Association apoia a proibição do uso das camas de bronzeamento para adolescentes com menos de 16 anos, mas afirma que mais provas são necessárias para elevar a idade da proibição para 16 ou 17 anos.

Jessica Harris, da ONG britânica Cancer Research UK, que trabalha com pesquisas sobre a doença, afirmou que muitos estudos científicos já demonstraram com convicção a relação entre o uso das camas e o câncer de pele.

– Estamos tão satisfeitos que a IARC tenha elevado a categoria de risco das camas de bronzeamento para o nível máximo –, disse Harris.

– A decisão apoia a recomendação da Cancer Research de evitar as camas de bronzeamento para fins cosméticos. Elas não trazem benefícios à saúde e sabemos que aumentam o risco de câncer –, afirmou.

Kathy Banks, executiva da Sunbed Association, negou as acusações sobre os danos causados pelas camas à saúde.

– A relação entre a exposição à radiação ultravioleta e o aumento no risco de desenvolver o câncer de pele somente ocorre quando há uma superexposição, ou seja, uma queimadura –, afirmou Banks.

– No entanto, as pesquisas mostram que 80% dos usuários das camas de bronzeamento artificial sabem dos riscos associados à superexposição aos raios ultravioletas e a maioria usa os aparelhos 20 vezes ou menos por ano –, disse.

Um porta-voz do Ministério de Saúde da Grã-Bretanha disse que as camas de bronzeamento artificial são "perigosas".

– Precisamos nos certificar de que as pessoas que as usam, o façam com segurança. Se necessário, iremos analisar novas leis para proteger os mais jovens –, disse.

Tags:
Edições digital e impressa