O líder do governo na Câmara, deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE), afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está confiante que a prorrogação, por mais quatro anos, da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) será aprovada em segundo turno na Câmara dos Deputados na próxima semana. A afirmação foi feita após jantar entre Lula e líderes dos partidos da base aliada no fim da noite desta terça-feira.
Segundo Múcio, a aprovação de duas medidas provisórias (MPs) pelos deputados na sessão da última terça-feira mostra que os partidos aliados estão pacificados para prosseguir com os projetos de interesse do governo.
— Fazia algum tempo que não aprovávamos duas MPs num mesmo dia. É uma vitória grande para o governo porque ficamos mais perto da aprovação da CPMF em segundo turno na Câmara — destacou o parlamentar.
Para o líder do governo, a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que estende a CPMF e a Desvinculação das Receitas da União (DRU) deve sair na próxima terça ou quarta-feira. Ele não descartou a possibilidade de que o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), convoque sessão extraordinária segunda-feira, dia 8 de outubro, para acelerar a votação de mais duas medidas provisórias que passarão a trancar a pauta da Casa nos próximos dias.
Convocado pelo presidente Lula para estreitar as relações com o Congresso, o jantar no Palácio da Alvorada, segundo Múcio, não abordou o preenchimento de cargos de confiança. De acordo com ele, o encontro também não serviu de oportunidade para os partidos da base aliada exigirem condições para aprovar projetos de interesse do governo.
— Foi apenas uma reunião de trabalho, para comentar a batalha da CPMF e discutir pontos positivos da economia brasileira — ressaltou o deputado. — Não houve pedidos nem reivindicações, já que o presidente era o anfitrião e a pauta é sempre do anfitrião.
Sobre a derrubada da medida provisória que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, rejeitada pelo plenário do Senado na semana passada, Múcio afirmou que o presidente não demonstrou tensão com o assunto.
— Ele disse que acha essas dificuldades naturais da própria democracia — lembrou o parlamentar.
Múcio não confirmou a transformação da secretaria em ministério extraordinário. Segundo ele, o presidente informou que o governo ainda não definiu uma maneira para que a estrutura criada para Secretaria de Planejamento de Longo Prazo seja mantida.
— A assessoria do presidente está estudando cada cargo preenchido para ver qual será a melhor solução, mas o presidente disse que ela virá em pouco tempo — concluiu.