ROMA, 20 JUL (ANSA) - A Câmara dos Deputados da Itália aprovou hoje a prisão do deputado Alfonso Papa, do partido Povo da Liberdade (PDL), do premier Silvio Berlusconi, em uma ação solicitada pela Procuradoria de Nápoles por envolvimento no caso de tráfico de influência que ficou conhecido no país como P4.
Papa, ex-juiz e ex-alto funcionário do Ministério de Justiça, é apontado como o pivô de uma associação ilegal que utilizava informações judiciais restritas sobre investigações em curso para pressionar políticos e empresários, além de, com isso, influenciar nomeações e licitações públicas.
Os procuradores acreditam que ele conseguia informações secretas também com o subsecretário da Presidência do Conselho de Ministros e braço direito de Berlusconi, Gianni Letta.
Após a votação, o deputado saiu do Palácio do Montecitório, a sede da Câmara, dizendo que se sente um "prisioneiro político" e "vítima de um grande abuso". Antes do escrutínio, ele reiterou ser "inocente" e lançou dúvidas sobre "o mérito de todas as acusações" feitas contra ele.
A decisão de autorizar sua prisão foi tomada com 319 votos a favor e 293 contra, sobre os 612 deputados presentes. A maioria foi obtida por causa da adesão dos parlamentares da Liga Norte, partido de direita e aliado do PDL na coalizão governista.
O ministro do Interior e membro da Liga Norte, Roberto Maroni, comentou que seu partido foi "coerente" ao votar pelo sim. O grupo já havia permitido que a questão chegasse no Parlamento ao se abster de uma decisão na Junta para as Autorizações da Câmara Baixa.
A decisão sobre o futuro do deputado foi tomada sob regime de votação secreta, o que permitiu que a maioria governista perdesse a adesão de 27 parlamentares que costumam votar em bloco com o PDL e, no ano passado, votaram contra a moção de desconfiança ao governo apresentada pelo oposicionista Futuro e Liberdade para a Itália (FLI).
Após a votação, Papa saiu da Câmara dos Deputados rodeado por correligionários, que o abraçaram e tentaram consolá-lo. Alguns deles chegaram a chorar e declararam aos jornalistas presentes que "isso [prisão] é um verdadeiro asco, uma vergonha".
Berlusconi, que se encontrava na Câmara no momento do escrutínio, não prestou nenhuma declaração e se fechou em uma sala reservada para o Executivo com alguns de seus colaboradores e deputados do PDL para discutir a situação. (ANSA)
CÂMARA ITALIANA APROVA PRISÃO DE DEPUTADO DE PARTIDO DE BERLUSCONI
Quarta, 20 de Julho de 2011 às 09:53, por: CdB