Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Câmara dos Deputados não merece críticas, diz Severino Cavalcanti

Terça, 29 de Março de 2005 às 18:25, por: CdB

Antes de iniciar a discussão da Medida Provisória 232, o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-P), aproveitou o plenário cheio para fazer um desabafo e criticar notícias contra a sua gestão à frente da Casa Legislativa. Cavalcanti considerou as críticas injustas, e ressaltou que elas ferem não apenas a imagem dele, mas a da instituição Câmara dos Deputados. "Pelos meus erros eu respondo. Só não posso responder pelo exagero que colocam nas minhas costas, com notícias e dados mentirosos que acabam por atingir a própra instituição. A instituição Câmara dos Deputados não merece isso", enfatizou.

Severino Cavalcanti respondeu pontualmente às principais críticas que vem recebendo desde que foi eleito presidente da Câmara, há 40 dias. Entre elas as críticas à proposta de reajuste salarial dos deputados, ao aumento das verbas de gabinete de R$ 35 mil para R$ 44 mil, e à aprovação de matérias que teriam custado mais de R$ 30 bilhões aos cofres públicos - como o subteto salarial dos delegados de polícia e a aprovação da Lei Orgânica de Assistência Social (Loas) pela Comissão de Constituição e Justiça. "De onde tiraram isso? Não é apenas o presidente da Câmara que aprova. É também o plenário, os deputados, os representantes do povo, eleitos pelo voto livre", criticou.

O presidente da Câmara disse que a cifra de R$ 30 bilhões é "absolutamente inverídica" e acusou a imprensa de ter esquecido que o Senado Federal aprovou a reforma da Previdência, responsável por parte dos gastos do governo, sem que os senadores tenham sido acusados de causar prejuízos ao erário. "Como pode a imprensa ter esquecido tudo isso em poucos dias, apenas porque mudou o presidente da Casa?", questionou.

Sobre o aumento da verba de gabinetes dos deputados, que gerou reação da sociedade civil, Severino Cavalcanti admitiu ter assinado o ato, mas ressaltou que a iniciativa partiu da antiga Mesa Diretora da Câmara e foi referendada pela atual. Bastante aplaudido pelos deputados, Cavalcanti disse que nos últimos 30 dias a Casa vem funcionando "sem atropelos", aprovando matérias "do mais alto significado para a sociedade, que se encontravam engavetadas faz vários anos".

O presidente da Câmara reiterou as críticas ao excesso de Medidas Provisórias enviadas pelo Executivo ao Congresso Nacional, e disse estar disposto a acabar com essa prática, aumentando a independência do Legislativo em relação ao Palácio do Planalto. "Por que tanta surpresa com essa decisão, inscrita desde os tempos mais remotos em qualquer manual de política? Acaso por que aqui entre nós o Legislativo tenha de se submeter, sempre, à vontade imperial de todos os governos? A autonomia fará bem à democracia", garantiu.

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