Os partidos da base do governo e da oposição definem nesta quarta-feira os últimos detalhes para a implantação da CPI do Apagão Aéreo na Câmara dos Deputados. O prazo para indicação dos membros da comissão termina nesta quarta-feira e a expectativa é que a CPI faça a primeira reunião nesta quinta. Para isso, é preciso decidir sobre o comando da investigação, programada para durar 120 dias. A base do governo não abre mão da prerrogativa regimental de ter a presidência e a relatoria da CPI, já que possui a primeira e a segunda maior bancada da Casa - PMDB e PT.
A oposição tentará negociar uma das duas vagas, embora saiba que dificilmente o governo aceitará um acordo. A alternativa pode ser um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os petistas chegaram a cogitar, no máximo, inverter as funções: passar a relatoria ao PMDB e assumir o cargo de presidente. O líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), no entanto, já avisou que o partido quer a presidência.
PMDB e PT confirmam nesta quarta-feira os integrantes na CPI. Um nome certo dentro do PT é o de Cândido Vacarezza (SP), cotado para a relatoria. No PMDB, é dado como garantido a indicação de Marcelo Castro (PI), cogitado para a presidência.
Das 24 vagas titulares da CPI, 16 são do governo. Da base governista, apenas o PR já escolheu seu único membro titular na CPI: José Carlos Araújo (BA), tendo como suplente, Lêo Alcântara (CE).
Já pela oposição, o Democratas indicou como titulares Solange Amaral (DEM-RJ), Vitor Penido (DEM-MG), e Vic Pires Franco (DEM-PA). As vagas de suplentes ficarão com Efraim Filho (DEM-PB), Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Silvinho Peccioli (DEM-SP).
O PSDB escolheu Zenaldo Coutinho (PSDB-PA), Wanderlei Macris (PSDB-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) como titulares e deixou como suplentes os deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP), Rodrigo de Castro (PSDB-MG) e Otávio Leite (PSDB-RJ). Esse último, aliás, promete pressionar para ser titular por ter sido, ao lado de Macris, um dos autores do requerimento que pediu a CPI.
A oposição tem mais duas vagas: uma do PPS, que ainda não indicou ninguém, e outra do PSOL, que avisou que escolherá entre Ivan Valente (PSOL-SP) e Luciana Genro (PSOL-RS) para titular e outro como suplente.
Democratas e PSDB mantém divergências quanto ao início da CPI. O Democratas querem investigar de imediato a Infraero, enquanto os tucanos defendem aprofundar as falhas no sistema aéreo do país. Essa divergência também tem reflexo na CPI que será instalada no Senado nas próximas semanas.
O Democratas deve ficar com a relatoria da investigação e tem sido criticado pelo PSDB por tentar esvaziar a CPI da Câmara, onde a base do governo tem folgada maioria. No Senado, por exemplo, das 13 vagas titulares, sete são governistas e seis da oposição. Até agora, apenas DEM e PSDB indicaram seus integrantes.