Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Câmara cassa o mandato de Jefferson

O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) foi cassado, na noite desta quarta-feira, por 313 votos a favor, 156 contra, 13 em branco, cinco nulos e duas abstenções. Ao assumir a tribuna da Câmara, pela última vez nos próximos oito anos - prazo em que estará impedido de participar da vida pública - ele preferiu, novamente, um discurso pontuado por duros ataques contra o PT. (Leia Mais)

Quarta, 14 de Setembro de 2005 às 18:41, por: CdB

O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) foi cassado, na noite desta quarta-feira, por 313 votos a favor, 156 contra, 13 em branco, cinco nulos e duas abstenções. Ao assumir a tribuna da Câmara, pela última vez nos próximos oito anos - prazo em que estará impedido de participar da vida pública -  ele preferiu, novamente, um discurso pontuado por duros ataques contra o PT e, desta vez, também ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quem havia preservado até então. O relator também foi alvo de seus comentários. Na sessão, que durou 44 minutos, Jefferson criticou Jairo Carneiro (PFL-BA) e rebateu os cinco pontos levantados por ele para embasar o pedido de cassação.

- Não é verdade que o 'mensalão' não foi comprovado. É mesquinha a acusação de que fiz as denúncias para tirar o foco de mim. Fui a ministros, ao próprio presidente denunciar. Se hoje estou sendo julgado com o governo na descendente, imagina naquela época - afirmou Jefferson, para quem o relator estava brincando, quando o acusou de ter se omitido e não denunciado antes o suposto pagamento de mesadas a parlamentares.

Roberto Jefferson diz não acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula das Silva participou do suposto esquema de corrupção, mas criticou o presidente por ser "no mínimo omisso" e ter delegado funções de governo aos ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken. Para Jefferson, Dirceu tratou o Congresso como se fosse uma casa de prostituição.

- Tirei a roupa do rei. Mostrei quem são os fariseus, quem é o governo e o partido do governo - disse. Jefferson também classificou Lula de "preguiçoso" e passível de ser punido por "crime por omissão". Lula foi comparado a Genoino, ex-presidente do PT, por ter assinado contratos de empréstimo sem ler.

O parlamentar desferiu seu primeiro ataque foi contra o jornal "o Globo", acusado de "amoral" e de dever mais de R$ 1 bilhão aos cofres do INSS, sem sofrer nenhuma punição por isso, enquanto empresas como a Schincariol são devassadas pela Polícia Federal.  O presidente da Câmara em exercício, José Thomaz Nonô, prorrogou por 10 minutos o tempo de discurso concedido ao parlamentar com a justificativa de que "a Casa quer ouvi-lo". Nonô foi aplaudido em plenário e, ao final, o discurso se estendeu por 41 minutos ante um prazo inicial de 25.

Segundo contagem do primeiro vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL-AL), votaram 489 deputados. Eram necessários 257 votos para cassar o mandato do deputado.

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