O plenário da Câmara aprovou nesta terça-feira (5) medida provisória que reajusta a tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF). Os deputados ainda analisam se o reajuste será de 4,5%, como diz o texto editado pelo governo, ou maior, como defende a oposição. Essa correção será feita anualmente até 2014. O índice proposto corresponde à meta de inflação perseguida pelo governo desde 2006.
As centrais sindicais, que desde janeiro pautam a correção da tabela do Imposto de Renda em 6,47%, realizam mobilização em Brasília nesta quarta-feira (6), apresnetando a agenda dos trabalhadores. O índice reivindicado pelas centrais equivale à taxa de inflação de 2010, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em negociação ocorrida em 26 de janeiro entre o governo e as centrais, chegou a ser considerada a proposta do governo aprovar o valor de R$ 545 do salário mínimo e, em troca, reajustar a tabela do imposto de renda conforme a demanda das centrais. Entretanto, o reajuste do salário mínimo, assim como a correção da tabela do IRPF, foram aprovados de acordo com a proposta do Executivo.
Leia tambémCentrais promovem ato em Brasília: pressão por agenda trabalhista
Isenção
A nova tabela está em vigor desde o dia 1º de abril, por meio de medida provisória. A mudança ampliou a fatia de trabalhadores que ficarão isentos do pagamento de imposto, já que o teto para a base de cálculo foi ampliado de R$ 1.499,15 para R$ 1.566,61. Os aposentados e pensionistas com mais de 65 anos de idade terão direito também a deduzir mensalmente de seus proventos a parcela de R$ 1.566,61 em 2011.
Além dos novos valores das faixas de isenção e tributação que valem desde abril, o contribuinte terá direito ao desconto mensal para dependentes (R$ 157,47 cada um em 2011) retirado da base de cálculo do IRPF.
A medida provisória segue agora para o Senado, que terá até 8 de agosto para analisá-la, data em que perde o prazo de validade.
Alterações no Imposto de Renda
O relator, deputado Maurício Trindade (PR-BA), manteve o percentual determinado pelo governo, mas fez algumas alterações no texto. Empregadores de trabalhadores domésticos serão atingidos pelas mudanças. A partir de janeiro do ano que vem, o empregador doméstico que quiser pagar por um plano de saúde para seu funcionário poderá deduzir até R$ 500 por ano do Imposto de Renda.
"Acabou de ser criado, basicamente, o plano de saúde da empregada doméstica”, destacou Trindade, ressaltando que o Brasil tem hoje cerca de 7 milhões de trabalhadores domésticos. Ele considera que o benefício vai estimular a formalização dessa categoria. O relator lembra que, com o desconto da contribuição patronal, cerca de 700 mil trabalhadores domésticos passaram a ter a carteira assinada.
Trindade também incluiu no projeto o desconto da contribuição patronal do empregador doméstico incidente sobre a remuneração do empregado. O benefício foi aplicado até 2010, mas não constava da redação original. A contribuição poderá ser descontada do imposto apurado até o exercício de 2015, ano-calendário de 2014.
O relator fez ainda alterações em relação aos planos de saúde privados. O texto determina que o ressarcimento dos serviços de hospitais conveniados ao SUS (Sistema Único de Saúde) seja feito exclusivamente ao sistema e não mais às entidades que prestaram o serviço.
Uma das emendas, também incluída pelo relator na MP, estabelece prazo mínimo de 30 dias para que o contribuinte pessoa física apresente documentos comprobatórios à Receita Federal quando o órgão assim solicitar na fiscalização dos lançamentos na declaração de ajuste anual.
Oposição
A oposição tentou, sem sucesso, aumentar o reajuste da tabela. O Plenário rejeitou nominalmente dois destaques: um, do PSDB, queria emplacar reajuste de 5,9% por meio de emenda do líder do partido, deputado paulista Duarte Nogueira; e o outro, do DEM, queria aprovar emenda do seu líder, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), para reajustar as deduções com educação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais 5%
O líder do DEM, ACM Neto (BA), reclamou em plenário e disse que a porcentagem de 4,5% sequer repõe o que foi perdido com a alta da inflação. Ele refutou a justificativa do governo de que não há orçamento para bancar o aumento da correção: "o governo não pode dizer que não dispõe de recursos para bancar a diferença. Afinal, um pacote de medidas foi adotado no início do ano e gerou aumento de imposto. Além disso, há recordes de arrecadação. Então dinheiro há e de sobra".
Segundo o tucano Alvaro Dias (PSDB-PR), a previsão do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2011 se aproxima do teto inflacionário de 6,5% --o que permitiria uma correção maior aos contribuintes.
O líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), argumentou que nos 16 anos e meio de Plano Real a inflação foi de 220% enquanto a correção da tabela ficou em pouco mais de 80%. "Nós achamos que isso está muito aquém daquilo que poderia ser classificado como uma verdadeira justiça tributária"
Da redação, Luana Bonone, com informações de agências
Câmara aprova reajuste da tabela do Imposto de Renda em 4,5%
Quarta, 06 de Julho de 2011 às 06:50, por: CdB