Um boicote telefônico será realizado nesta quinta-feira, das 12 às 14 horas, em todo o país. O Caladão consiste em deixar de usar o telefone fixo durante esse horário, como forma de protestar diante da alta de preço das tarifas.
Como idéia do Instituto de Defesa do Consumidor - Idec -, o Caladão já foi apoiado por instituições da Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O Instituto propõe o uso do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) nos reajustes.
A situação atual consiste em que as tarifas sejam reajustadas pelo Índice Geral de Preços por Demanda Interna (IGP-DI). Isto interessa, na maioria dos casos, às empresas, devido a este índice ser fortemente influenciado pelo dólar. Já para futuras renovações de contratos de concessão de telefonia, a partir de 2006, o IGP-DI não vai ser usado, o Ministério das Comunicações assim o determinou.
O deputado Daniel Almeida (PC do B - BA), membro da Comissão de Direitos do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara, também se encontra a favor do boicote. Ele afirma que "Uma campanha de adesão está sendo feita nos meios de comunicação e na Internet, acredito que a participação será grande". Almeida teve a iniciativa de recolher as assinaturas para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o reajuste da telefonia. Além disso, o respeito à liminar do juiz substituto Edison Moreira Grillo Junior, de Minas Gerais, que suspendeu a cobrança em todo o país.
Almeida afirmou que "é necessário marcar claramente nossa opinião, até porque uma liminar é um recurso frágil, que pode ser suspenso num tribunal". Ele já está pensando em fazer o "Caladão" do celular, que seria promovido nesta sexta-feira.
Embora os boicotes não sejam uma tradição particular do Brasil, já se obtiveram bons resultados no passado e, após ver os resultados de alguns deles, a idéia está chamando a atenção na Câmara dos Deputados.