A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido de R$ 722,5 milhões no terceiro trimestre do ano (julho a setembro), com redução de 56,73% em comparação ao trimestre anterior (abril a junho), mas no acumulado do ano a instituição contabiliza lucro de R$ 3,265 bilhões, o que equivale a expansão de 90% sobre o resultado de igual período do ano anterior.
Os números foram divulgados nesta quarta-feira pela presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho. Segundo ela, “o bom desempenho foi influenciado pelo crescimento das operações de crédito e pelo maior controle das despesas administrativas”. Maria Fernanda disse que o saldo das operações de crédito cresceu 33% no ano, com receita de R$ 7,8 bilhões, enquanto as despesas cresceram apenas R$ 94 milhões sobre igual período de 2007.
Do lucro líquido acumulado, a Caixa transferiu R$ 1,5 bilhão para a União, de acordo com o vice-presidente de Finanças, Márcio Percival. Somado aos R$ 2,9 bilhões de repasses das loterias, tributos e encargos recolhidos, a Caixa destinou ao Tesouro Nacional R$ 4,4 bilhões no ano.
Os ativos totais da Caixa registraram saldo de R$ 276,1 bilhões, com evolução de 15,3% na comparação de igual período entre 2008 e 2007, enquanto o patrimônio líquido atingiu R$ 12,2 bilhões, com crescimento de 16,8%, e os ativos administrados pela instituição totalizaram R$ 609,9 bilhões, acrescentou o vice-presidente de Controle e Risco, Marcos Vasconcelos.
As maiores somas dos ativos administrados se referem a R$ 212,2 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e R$ 70,2 bilhões em fundos de investimento. Vasconcelos também destacou os saldos de R$ 157,4 bilhões em depósitos (+19,6%) e de R$ 88,5 bilhões em cadernetas de poupança (+24,2%). Segundo ele, a captação líquida de poupança pela Caixa, neste ano, foi de R$ 8,5 bilhões, o que eleva a participação da instituição nesse segmento de mercado para 34,2%.
O balanço da Caixa mostra ainda que as contratações de crédito somaram R$ 16,1 bilhões de julho a setembro, com evolução de 22% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, e a presidente da instituição assegura que "não faltará recursos para o crédito até o final do ano. Nosso foco é o crédito, tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica". No ano, o crédito cresceu 19,9% e as contratações somam R$ 46,2 bilhões, dos quais R$ 23,6 bilhões para pessoas físicas e R$ 22,6 bilhões para empresas.
O vice-presidente de Governo da Caixa, Jorge Hereda, também presente à entrevista, ressaltou os bons resultados da carteira de habitação, que investiu R$ 6,716 bilhões em financiamentos a novas moradias no terceiro trimestre do ano. No acumulado janeiro a setembro, os financiamentos somam R$ 17,211 bilhões, com evolução de 64% sobre o trimestre anterior, e de 48,3% sobre mesmo período de 2007.
Segundo Hereda, o setor “continua em franca expansão, uma vez que existe muita demanda por mais empréstimos. Além disso, com o aumento da arrecadação da poupança, cresce a viabilidade de mais financiamentos”. Ele antecipou que as operações para compra da casa própria fecharam o mês de outubro em R$ 18,2 bilhões e devem chegar a cerca de R$ 22 bilhões no final de 2008. Meta quase 30% acima da estimativa de janeiro, que era de R$ 17 bilhões.