O volume de financiamentos imobiliários contratados na Caixa Econômica Federal em 2009 atingiu R$ 47,05 bilhões, volume 102% maior que o visto no ano anterior, informou a instituição nesta quarta-feira. O crescimento foi turbinado pelo programa Minha Casa Minha Vida do governo federal lançado em abril de 2009 que, sozinho, respondeu por 14,1 bilhões de reais do total. As linhas de crédito habitacional com recursos do FGTS, para imóvel novo ou na planta, alcançaram R$ 9,4 bilhões, montante 109% superior ao de 2008. Já os financiamentos lastreados nos recursos da poupança totalizaram R$ 19,4 bilhões, 108% superior ao registrado em 2008.
Apesar da redução no ritmo da Construção Civil, no ano passado, em 2010 o panorama para o setor se mantém otimista. A construtora e incorporadora Cyrela divulgou, nesta quarta-feira, que encerrou o quarto trimestre com vendas contratadas de R$ 2,23 bilhões, ante R$ 661 milhões um ano antes. Em comunicado prévio sobre a performance da companhia no ano passado, a Cyrela informa que do total de vendas contratadas, R$ 1,73 bilhão foram apurados pela própria empresa, com o restante cabendo a parceiros.
As vendas contratadas foram de R$ 5,202 bilhões em 2009, ligeiro aumento de 1,1% em relação a 2008. A Cyrela afirmou que as vendas contratadas no ano equivalem a 23.886 unidades. Segundo a empresa, esse desempenho ficou no "ponto mais alto do guidance para o ano". A empresa teve lançamentos de R$ 2,428 bilhões no quarto trimestre, contra R$ 948 milhões no mesmo período de 2008. Os lançamentos apenas da Cyrela foram de R$ 1,956 bilhão.
No ano passado, os lançamentos somaram R$ 5,555 bilhões, avançando 1,9% sobre 2008, também ficando no topo das previsões de desempenho da companhia. O número de unidades lançadas foi de 26.030. As ações da companhia abriram o pregão em alta de 1,2%, cotadas a R$ 21,96. Enquanto isso, o Ibovespa exibia ligeira valorização de 0,03%.
O braço para o segmento econômico, Living, foi responsável por 29,1% dos lançamentos e por 32,9% das vendas de 2009 da Cyrela. A unidade teve crescimento de 0,5% em relação aos lançamentos do ano anterior e alta de 26,6% na comparação com as vendas de 2008. Os lançamentos da Living somaram R$ 824,3 milhões no quarto trimestre e R$ 1,618 bilhão em 2009, com um total de 14.649 unidades lançadas. As vendas somaram R$ 902,3 milhões no trimestre passado e R$ 1,71 bilhão em todo o ano, com um total de 14.780 unidades vendidas.
Lucro mais forte
Presente na base do setor, em todo o mundo, a Caterpillar, maior fabricante internacional de equipamentos para construção civil e mineração, divulgou nesta quarta-feira lucro mais forte do que o esperado para o trimestre passado. A companhia também informou que está vendo sinais encorajadores de que as economias ao redor do mundo estão se recuperando. Mas a empresa previu também um lucro de 2010 mais baixo que as estimativas de Wall Street e suas ações recuavam 2,9% antes da abertura do mercado.
A Caterpillar informou que espera lucro em 2010 de US$ 2,5 por ação sobre vendas de US$ 35,6 bilhões a US$ 40,5 bilhões. Analistas, em média, previam US$ 2,71 por ação, segundo a agência inglesa de notícias econômicas Thomson Reuters I/B/E/S.
– Eles estão entregando um cenário um pouco mais cauteloso do que alguns dos analistas mais otimistas estavam esperando – afirmou Eli Lustgarten, analista da Longbow Securities.
A Caterpillar informou que espera que a economia mundial cresça mais de 3% em 2010, liderada pelas economias em desenvolvimento como a China, que tende a superar a meta dos 10% nos próximos meses. A empresa alertou que os Estados Unidos, maior economia do mundo, vão crescer 3,5%, bem abaixo do nível de recuperações passadas.
A companhia divulgou lucro líquido no quarto trimestre de US$ 232 milhões, ou US$ 0,36 por ação, ante US$ 661 milhões um ano antes, ou US$ 1,08 por ação. As vendas caíram 39%, para US$ 7,9 bilhões. Retirando custos associados à reestruturação da empresa, que envolveram eliminação de 25 mil empregos no mundo, a Caterpillar teve lucro de US$ 0,41 por ação. Sobre essa base, analistas, em média, esperavam que a companhia tivesse lucro de US$ 0,28 por ação, sobre vendas de US$ 8,11 bilhões, segundo a agência inglesa.