O presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Mattoso, foi responsabilizado pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa e perderá o cargo, mas o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, fica no governo até segunda ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A notícia foi divulgada na noite deste domingo pela agência inglesa de noticias Reuters, assinada pelos repórteres Ricardo Amaral e Áureo Germano. Segundo o texto, "o presidente calcula que a saída de Mattoso e a demissão de subordinados da CEF devem reduzir pressões pela exoneração do ministro", disseram neste domingo dois importantes auxiliares de Lula, na condição de não serem identificados.
- A idéia de exoneração (de Palocci) está descartada, até avaliarmos o impacto das punições. Ninguém jogou a toalha - resumiu uma destas fontes depois de falar com Lula e com Palocci.
Palocci resiste no cargo, segundo a agência, sustentando que não teria participado da violação ilegal da conta do caseiro, que contradisse seu depoimento à CPI dos Bingos. Até a madrugada de sábado, a Polícia Federal não havia encontrado provas do envolvimento de membros do gabinete de Palocci no episódio, acrescentaram as fontes.
Outros dois interlocutores de Lula (um ministro da coordenação de governo e um aliado político de peso) confirmaram que Palocci acha possível manter-se no cargo, pelo menos enquanto não ficar demonstrado o envolvimento de algum seu auxiliar direto. A demissão de Mattoso foi decidida na noite de quinta, horas depois de Lula ter negado sua saída em rápida entrevista.
- Quem toma essa decisão sou eu, se houver mudanças, vocês serão informados - disse Lula no final daquela manhã, negando rumores sobre a demissão.
Enquanto Lula negava sua saída, Mattoso analisava os primeiros resultados das investigações com o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos. Em seguida, foi intimado a depor na Polícia Federal, mas alegou problemas de agenda para não comparecer. Desde a noite de quinta o Planalto aguarda um pedido de demissão, disseram as fontes. Mattoso foi intimado novamente a depor na PF na tarde desta segunda, mas seu comparecimento não está assegurado, segundo policiais ligados ao inquérito.
Lula manteve sua agenda e viajou na noite de domingo para Curitiba. Ele retorna a Brasília no início da tarde de segunda, quando se encontrará com Palocci em reunião da Junta de Execução Orçamentária.