A desigualdade de renda entre as raças no Brasil diminuiu durante a última década, mas uma mulher negra ainda ganha apenas metade do que um homem branco, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas divulgado nesta quinta-feira.
A diferença entre as rendas de negros e brancos no Brasil caiu 31 por cento entre 1995 e 2005, de acordo com o estudo da Organização Internacional do Trabalho sobre a discriminação no mercado global de trabalho.
A desigualdade caiu devido a sucessivos aumentos do salário mínimo, redução da inflação e declínio nos ganhos reais dos homens brancos, segundo o estudo. O Brasil também obteve progressos em políticas destinadas a reduzir a desigualdade racial, segundo Laís Abramo, diretora da OIT no país.
- Há muitos países que nem querem reconhecer a discriminação racial - disse ela.
Mesmo assim, a renda mediana para as negras foi de 316 reais por mês em 2005, contra 632 reais para homens brancos. Os homens negros ganham menos que as mulheres brancas e quase dois terços do que ganhava um homem branco em 2005, o último ano com dados disponíveis.
Segundo Abramo, homens e mulheres negros ganham menos do que os brancos, sem importar o nível educacional.
- O gênero e a raça não são questões de minorias no Brasil. Estamos falando de uma ampla maioria da sociedade - afirmou ela.