Em plena crise econômica, um grupo de empreendedores inaugura um café em Santa Teresa e os planos saem do controle
Por Redação - do Rio de Janeiro
A iniciativa de abrir um bistrô no Largo das Neves, em Santa Teresa — bairro do Centro do Rio que concentra o maior número de cariocas ‘descolados’ por metro quadrado, competindo apenas com Botafogo, na Zona Sul — foi uma ousadia que ainda luta para se firmar no complicado cenário da noite carioca. A saga começou não faz um mês ainda, mas já tem assunto para um ano de conversa, no alpendre do simpático bistrô, no Largo das Neves.
O Les Amis, que oferece desde caldinhos a delicados petit fours, entre exposições e apresentações musicais, abriu dia 23 de Maio último com uma jam session a céu aberto. Para os convivas, foi um sucesso.
Assista, aqui, a algumas passagens do show:
Festa animada
Os donos do recém-chegado café e os moradores no entorno do show, porém, ficaram horrorizados. A festa foi, literalmente, segundo um dos vizinhos, "até o sol raiar". Não bastasse a estreia amarrotada, o estabelecimento foi assaltado no dia seguinte.
— Tive uma arma apontada para a minha cabeça — relata Manuela Kemper, sócia da casa.
Exceto pela violência dos assaltantes, para ela a experiência como produtora foi peculiar. Ao mesmo tempo em que percebeu a sede cultural das mais de 300 pessoas que se reuniram no espaço mínimo do largo onde o bonde faz a curva, constatou que a situação lhe fugira ao controle. Muito rapidamente. O resultado apareceu no dia seguinte, no lixo espalhado pela praça e no mau humor dos vizinhos, depois de uma noite mal dormida. Choveram reclamações.
Muita confusão
O ambiente na pracinha ficou tenso. Por iniciativa dos empreendedores, um pedido público de desculpas ajudou a amenizar o estresse.
“Antes de qualquer justificativa viemos nos desculpar pela sujeira, barulho, bagunça, desordem, odores e tantos outros incômodos gerados no último domingo aqui, com a realização do evento, cá no Largo das Neves”, disseram, em nota.
“Nós, do Les Amis, zelamos pelas relações e prezamos pelo respeito ao próximo. Acontece que erramos, erramos bastante. Não dimensionávamos que o evento teria tanta adesão e abrangência. Não fazíamos ideia de que a primeira edição de uma banda que, até então, nunca tinha se apresentado, traria tanta gente para o Largo das Neves, em pleno domingo com cara de chuva, em sua primeira edição. Foi uma grande surpresa, para a qual, de fato, não estávamos preparados”, acrescenta o texto.
“A banda em si é maravilhosa, foi ótimo ter aberto espaço para essa realização. Mas pecamos pela falta de estrutura, organização, planejamento, precaução e tudo mais que foi mencionado por vocês, com toda a razão. Reiteramos nossas desculpas! Lamentamos profunda e verdadeiramente por todo transtorno gerado e gostaríamos de comunicar que aprendemos com a experiência”, prometeram.
Em paz
Kemper disse ainda, à reportagem do Correio do Brasil, que a lição foi aprendida.
— Nós não realizaremos mais eventos desse porte. Percebemos, por exemplo, que a questão dos vendedores ambulantes é outro fator imponderável. O volume de lixo que produzem é inadequado. Nosso projeto, agora, é o de realizar eventos para um público menor, restrito ao nosso espaço — afirmou.
Além do pedido de desculpas e da alteração no programam cultural do café, devidamente registrado na municipalidade “com alvará de funcionamento e autorização dos bombeiros”, adianta , Kemper e seus associados reuniram-se, na semana passada, com moradores e representantes da Prefeitura.
— Havia umas 20 pessoas, entre os administradores regionais, moradores do Largo e cercanias. Deixamos claro que nossa conduta será outra, com a realização de pequenos eventos, internamente, e com respeito à Lei do Silêncio, após às 22h. Creio que ficamos em paz — concluiu.