Rio de Janeiro, 25 de Abril de 2026

Caem emprego e renda do trabalhador

O emprego na indústria apresentou retração na ordem de 0,6% em novembro na comparação com outubro, de acordo com pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em outubro, o indicador havia apurado leve queda de 0,2% em igual base de comparação. A renda do trabalhador acompanhou o movimento do mercado de trabalho e recuou 0,8% na passagem de outubro para novembro. (Leia Mais)

Terça, 17 de Janeiro de 2006 às 10:17, por: CdB

O emprego na indústria apresentou retração na ordem de 0,6% em novembro na comparação com outubro, de acordo com pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em outubro, o indicador havia apurado leve queda de 0,2% em igual base de comparação. A renda do trabalhador acompanhou o movimento do mercado de trabalho e recuou 0,8% na passagem de outubro para novembro. Trata-se do terceiro mês seguido de baixa. Em outubro, no entanto, o valor real da folha de pagamento havia tido uma queda ainda mais expressiva: de 1,6%. Desde agosto, a renda do trabalhador acumula queda de 3,7%.

Regionalmente, ainda neste tipo de comparação, sobressaem com as maiores pressões negativas no cômputo geral, Rio Grande do Sul (-8,5%), Paraná (-3,3%) e região Nordeste (-2,0%). No Rio Grande do Sul, ocorreram decréscimos em treze atividades, com calçados e artigos de couro (-19,5%) exercendo o impacto negativo mais significativo; no Paraná, o resultado mais representativo entre as dez atividades em queda veio de madeira (-23,0%). Já a queda no emprego da indústria nordestina reflete, principalmente, o comportamento negativo observado em onze setores, com destaque para calçados e artigos de couro (-7,4%). Em sentido contrário, Minas Gerais (3,1%) sobressai com a maior contribuição positiva, devido, principalmente, à ampliação do emprego na indústria de alimentos e bebidas (16,8%).

O indicador acumulado no ano, frente a igual período de 2004, mostra aumento de 1,2% no contingente de trabalhadores. Entre os dez setores que apresentam resultados positivos, destacam-se alimentos e bebidas (7,1%) e meios de transporte (9,4%), enquanto pelo lado negativo, o setor de calçados e artigos de couro (-11,6%) sobressai com a queda mais expressiva. No corte regional, dez locais mostraram expansão no emprego industrial, com destaque para São Paulo (2,5%), em função, principalmente, do aumento no número de trabalhadores em alimentos e bebidas (11,9%) e em meios de transporte (10,2%). Vale citar também, o índice registrado em Minas Gerais (3,9%), em virtude, sobretudo, de produtos de metal (25,5%) e de alimentos e bebidas (5,9%). Por outro lado, Rio Grande do Sul (-6,1%), por conta da redução observada em calçados e artigos de couro (-19,8%), exerceu a maior contribuição negativa.

Já o indicador acumulado nos últimos doze meses mantém a trajetória de desaceleração, uma vez que passou de 1,9% em outubro para 1,5% em novembro.

Para o economista da Coordenação da Indústria do IBGE, André Macedo, a análise do indicador de tendência do mercado de trabalho na indústria mostra um "quadro de estabilização com ligeira redução do emprego". Já o rendimento do trabalhador da indústria mostra uma clara tendência de desaceleração, que pode ser verificada tanto nos indicadores de curto prazo como nos de longo prazo. Macedo destaca que a própria estabilidade do emprego contribui para um menor nível de remuneração.

- Se não há um aquecimento do ritmo de contratação, não há aumento na folha de pagamento - disse.

Na comparação com novembro de 2004, o valor real da folha de pagamento cresceu 2,2% e, no ano, acumula alta de 3,7%. "No indicador acumulado em 12 meses, a folha de pagamento real prossegue com taxa positiva (4,4%), porém mantém clara desaceleração no ritmo de crescimento nos últimos meses: 6,0% até agosto, 5,6% até setembro e 4,9% até outubro", informa o IBGE. Já o nível de emprego industrial cresceu 1,2% no ano. Em relação a novembro de 2004, houve queda de 0,9%. O mercado de trabalho na indústria responde aos sinais de aquecimento da produção. Com a desaceleração do setor no terceiro trimestre, houve uma perda de ritmo. O crescimento da produção em novembro de 0,6% mostrou que a recuperação da indústria no quarto trimestre veio em ritmo mais moderado do que o previsto.

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