As investigações da polícia sobre um esquema criminoso de tráfico de cadáveres aponta que familiares de pessoas mortas recebem, na frente do Departamento Médico Legal (DML), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, propostas para doar corpos para funerárias. O esquema serve para alimentar uma rede interestadual de venda de cadáveres a instituições de Ensino Superior.
Angelito Angelidis, 28 anos, admitiu ter negociado a doação do corpo de Edilio Bilo Martins, 68 anos. O corpo do aposentado havia sido liberado do DML para ser sepultado em Erechim. Foi, no entanto, encontrado em Jacarezinho (PR). A polícia do Paraná apurou que o cadáver seria vendido a uma universidade de São Paulo. Dois homens foram presos na ocasião.
Angelidis disse que há cerca de três meses foi procurado na porta do DML por um dos homens presos no Paraná. Ele pediu que Angelidis conseguisse para ele a doação de corpos. Em dois casos, ele diz ter obtido autorização para doar corpos de pessoas que tiveram morte natural, o que é permitido por lei. Os termos de doação, segundo Angelidis, foram registrados em cartório. No entanto, no caso de Martins, vítima de homicídio em Viamão, o corpo não poderia ser doado.