Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Cachoeira preserva governo na CPI

O empresário do jogo Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, fez questão de negar à CPI dos Bingos qualquer tipo de envolvimento do governo em ações irregulares do ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, assim como também negou que tenha repassado dinheiro ilícito à campanha de políticos. (Leia Mais)

Quarta, 13 de Julho de 2005 às 17:35, por: CdB

O empresário do jogo Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, fez questão de negar à CPI dos Bingos qualquer tipo de envolvimento do governo em ações irregulares do ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, assim como também negou que tenha repassado dinheiro ilícito à campanha de políticos.

Durante testemunho de mais de quatro horas, ele não conseguiu convencer a CPI de que seu relacionamento com Waldomiro fosse somente institucional e não trouxe grandes novidades ao caso na avaliação de parlamentares.

Cachoeira foi mandante da gravação na qual Waldomiro em 2002, então presidente da Loterj, pedia ao empresário propina para si próprio e dinheiro para financiar eleições estaduais. Os recursos seriam para campanhas dos petistas Geraldo Magela (DF) e Benedita da Silva (RJ) e da hoje governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB, então no PSB).

Meses depois de gravada a conversa, Waldomiro assumiu uma assessoria direta do então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Acabou afastado do cargo em fevereiro de 2004, quando o vídeo foi divulgado pela imprensa. Como subchefe de assuntos parlamentares, sua principal função era atender deputados e senadores e cuidar da liberação de recursos orçamentários.
Cachoeira disse aos parlamentares que "nunca passou nenhum centavo" a ele.

"Pelo que eu conhecia do senhor Waldomiro, eu não acreditava que esse dinheiro ia para campanha alguma... Do fundo do meu coração, eu acredito que o dinheiro, no final, era para ele."

Ele aceitou participar de uma eventual acareação com Waldomiro, que teve a quebra de seus sigilos bancário, telefônico e fiscal autorizada pela CPI nesta tarde.

Neste primeiro depoimento da comissão, ficou evidente a falta de preparo dos senadores. Alguns deles justificaram o desempenho pela ausência de todos os documentos relativos a investigações anteriores.

A primeira pergunta feita ao empresário foi quanto à origem de seu apelido Cachoeira, arrancando risadas do plenário lotado. Segundo ele, a origem está no fato de seu avô ter uma fazenda com o nome "Cachoeira". E o apelido ficou com a família desde então.

DIRCEU PRESERVADO

À CPI, ele negou que conhecesse Dirceu e que tivesse relações próximas com o ex-presidente da Loterj, mas reconheceu que continuou se encontrando com Waldomiro para tratar do assunto "jogos" após este ter ido trabalhar no Palácio do Planalto. Desde então, afirmou, Waldomiro deixou de lhe pedir propina.

"Ele nunca me disse que agia em nome do José Dirceu", disse, acrescentando que a ligação entre ambos a partir de 2003 foi motivada pelo interesse de Waldomiro em se aproximar da Gtech, multinacional da área de jogos lotéricos, prestadora de serviço da Caixa Econômica Federal.
Esta foi a principal contradição apontada por parlamentares no depoimento desta quarta, já que Cachoeira não teria nenhum motivo aparente para intermediar negociações de alguém que tentou extorqui-lo.

"Eu não consigo entender como um agente público, que era chamado aqui no Congresso de 'ministro' Waldomiro, precisasse pedir a um empresário, a quem já havia pedido propina e não obteve, para intermediar encontros com dirigentes de outra empresa", observou o senador Efraim Morais (PFL-PB), presidente da CPI.

No ano passado, o Ministério Público denunciou Waldomiro por supostas irregularidades nas negociações para a renovação do contrato da Gtech com a Caixa.

Cachoeira insistiu que mantinha contato com o ex-servidor por medo de represálias.

"Eu o atendia porque ele continuava poderoso, ele era subchefe da Casa Civil", disse. "Como eu não atenderia um homem como esse?"

Além de ter sido preservado por Cachoeira, Dirceu foi bem-sucedido, por ora, nos esforços para evitar que fosse votado um requerimento para prestar esclarecimentos à comissão.
No início da semana, o ex-ministro chegou a argumentar com o relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), que não hav

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