Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

Cachoeira é preso mas negocia delação premiada e inquieta Cabral

Sócio de Cachoeira e um dos maiores empreiteiros do Brasil, durante a gestão de Cabral, Cavendish participou das obras de reforma do Maracanã no governo fluminense

Quinta, 30 de Junho de 2016 às 10:44, por: CdB

Sócio de Cachoeira e um dos maiores empreiteiros do Brasil, durante a gestão de Cabral, Cavendish participou das obras de reforma do Maracanã no governo fluminense

 
Por Redação - de Brasília, Goiânia e Rio de Janeiro
  Preso na manhã desta quinta-feira, o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, já negocia, na Justiça Federal, uma delação premiada para reduzir sua pena, caso seja condenado no esquema de lavagem de dinheiro, investigado pela da Operação Saqueador, da Polícia Federal (PF). Cachoeira e o empreiteiro Fernando Cavendish teriam desviado R$ 370 milhões em recursos destinados a obras públicas, principalmente no Estado do Rio, ao longo do governo do jornalista Sergio Cabral Filho.
cabral-cavendish.jpgCabral e Cavendish, sócio de (assinalados na foto) eram amigos até a deflagração da
CachoeiraOperação Monte Carlo
Cavendish, dono da Delta Engenharia, encontra-se no exterior e foi considerado como foragido da Justiça. A ação é um desdobramento da Operação Monte Carlo, que provocou a cassação do ex-senador Demóstenes Torres em 2012, e atinge também Adir Assad, já preso na Lava Jato. Eles são acusados de corrupção e lavagem de dinheiro. Os recursos desviados teriam sido pagos em propina a agentes públicos, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público. Um dos maiores empreiteiros do Brasil, durante a gestão de Cabral, Cavendish participou das obras de reforma do Maracanã. O processo foi distribuído ao juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Além de Cachoeira, Cavendish e Assad, a denúncia atinge outros 20 suspeitos. Entre 2007 e 2012, a Delta faturou R$ 11 bilhões. Ao longo destes cinco anos em que manteve a Delta Engenharia, Cavendish e Cachoeira utilizaram 18 empresas de fachada, criadas para sustentar o esquema. Cachoeira foi preso na capital goiana e Cavendish, foragido da Justiça, teve seu apartamento no Leblon, bairro chique na Zona Sul do Rio, revistada por agentes da PF, que levaram um cofre e documentos. Na denúncia do MPF oferecida à Justiça Federal, 96,3% do faturamento da Delta entre 2007 e 2012 foram amealhados em verbas públicas, chegando a R$ 11 bilhões. A denúncia foi oferecida contra 23 pessoas, incluindo Cavendish, Cachoeira, o doleiro Adir Assad, Marcelo Abbud e proprietários e contadores de empresas fantasmas — segundo nota divulgada nesta manhã pela Procuradoria Regional da República do Rio.

Delação do Cachoeira

De acordo com as investigações, as empresas de ‘laranjas’ lavavam os recursos públicos em contratos fictícios, com os recursos sacados em espécie para o pagamento de propina, de forma a impedir o seu rastreamento. Na nota, o MPF não cita o envolvimento de políticos, embora não negue a participação de agentes públicos no esquema fraudulento. Carlinhos Cachoeira foi preso em 2012, na Operação Monte Carlo, o que levou o senador Demóstenes Torres à perda do mandato de senador e a uma briga pública com o ex-companheiro de partido, no Democratas, e também senador Ronaldo Caiado. Torres fez uma série de denúncias cifradas contra o político goiano, hoje um dos principais adeptos da cassação da presidenta Dilma Rousseff. Segundo a denúncia do MPF, as empresas fantasmas só existiam no papel e não dispunham de sedes, funcionários e qualquer reciprocidade entre a receita milionária e a movimentação financeira identificada pela Receita Federal. Como informou o MPF, estas empresas utilizavam os serviços dos mesmos contadores. "As empresas de Adir Assad e Marcelo Abbud emitiam notas frias não só para a Delta, mas para muitas outras empresas. No mesmo período de 2007 a 2011, foi transferido para essas empresas fantasmas mais de R$ 885 milhões. A organização criminosa também serviu ao esquema de corrupção da Petrobras, de acordo com a Operação Lava Jato", diz a nota do MPF. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a utilização, nas investigações da Operação Saqueadores, de trechos da delação premiada de pessoas ligadas à empreiteira Andrade Gutierrez e investigadas na Operação Lava Jato, também da PF e do MPF. A Procuradoria do Rio, embora a delação ainda seja sigilosa, "confirma o que foi apurado, demonstrando que a Delta era uma empresa voltada fundamentalmente a esquemas de corrupção em obras públicas, em especial, no Rio".
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