Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2026

Cachaça gera renda no interior fluminense

Quinta, 28 de Julho de 2005 às 07:36, por: CdB

Os agricultores fluminenses, que vivem da atividade ,só têm motivos para comemorar, especialmente os que, cada vez mais, ganham destaque na produção de cachaça, açúcar mascavo, melado, rapadura e doces em compota. Um exemplo é a iniciativa de 27 produtores do Centro-Sul Fluminense, que estão investindo na modernização e no aumento da produção de cachaça tradicional na região e expandindo para outras atividades ligadas à cana-de-açúcar.

Com suporte de escritório da Emater-RJ (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro), vinculada à Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Pesca e Desenvolvimento do Interior, os produtores criaram em Paraíba do Sul e registraram a Cooperativa de Produtores de Cachaça Artesanal da Região Centro-Sul Fluminense.

De acordo com o secretário de Agricultura, Christino Áureo, quatro deles tiveram o projeto elaborado e contaram com financiamento de R$ 30 mil do Prosperar, programa do governo do estado de incremento a pequenas agroindústrias de base familiar.

-  Já deram, inclusive, o pontapé inicial para a construção dos prédios e instalação dos maquinários - disse.

O médico veterinário e extensionista da unidade da Emater em Paraíba do Sul, Eulógio Caldas, é o responsável pela implantação do Programa Prosperar e criação da cooperativa. Ele conta que os R$ 30 mil cobriram parte do investimento dos produtores.

- Os quatro financiados pelo Prosperar estão usando também recursos próprios na modernização. Outros, apenas recursos próprios - explicou.

A fazenda 10 Amores investiu e iniciou a produção há três semanas. Antônio Carlos da Cunha Pádua, 38 anos, um dos sócios da agroindústria que vai produzir a cachaça Morro Azul, ressalta que a pinga do Rio é a melhor do Brasil. Para ele, agora é a hora de mudar o conceito de que Minas Gerais é o melhor produtor. Antônio Carlos acredita que o financiamento vai proporcionar não só o crescimento do setor, mas a oportunidade de provar a qualidade do produto.

Segundo o técnico da Emater, Eulógio Caldas, estão sendo investidos nas sete propriedades em torno de R$ 250 mil. O maquinário adquirido foi caldeira, alambique, moenda, tacho e despolpadeira, além de máquinas para embalar e envazar.

- Os recursos do Programa Prosperar foram concedidos para a implantação da indústria de açúcar, melado e rapadura. Eles vão ser produzidos em várias propriedades com a marca Delícias do Rio - disse Eulógio.

A produção de cachaça, segundo o técnico da Emater, está sendo expandida com recursos dos proprietários, que vão manter a marca de origem.

Mas a modernização não vai tirar a característica e o sabor artesanal da cachaça produzida na região. Segundo o técnico da Emater, os produtores vão continuar fazendo o produto de forma artesanal, mas com equipamentos mais modernos.

- A nova fábrica também vai contribuir para a ecologia, já que as caldeiras serão alimentadas com o bagaço da cana, não mais com lenha. O açúcar, que demorava quatro horas no tacho para render quatro quilos, poderá ser feito em menos de uma hora. A produção pode ser de 300 quilos por dia - explicou.

Os planos dos 27 proprietários que formam a Cooperativa de Produtores de Cachaça Artesanal da Região Centro-Sul Fluminense visam o mercado externo. Segundo Eulógio, há contato com compradores do Chile e dos Estados Unidos. A previsão da Emater para que todos estejam modernizados é de, no máximo, dois anos. Em um ano e meio, devem estar todos legalizados para conseguir financiamento.

O sítio da Várzea fica em Werneck, quarto distrito de Paraíba do Sul, e fabrica a cachaça do Niquinho. O financiamento saiu no mês passado. Segundo a dona, Ilda Cunha Pádua, 67 anos, o objetivo é investir na fabricação de melado e açúcar mascavo.

O sítio Arrozal, em Guaribu, Paty do Alferes, responsável pela cachaça Pilão, uma das mais tradicionais da r

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