O ex-banqueiro Salvatore Cacciola disse, após desembarcar no Rio, na manhã desta quinta-feira, em entrevista na sede da Polícia Federal, no centro da cidade, que chega ao Brasil "tranqüilo" e "confiante na Justiça". Cacciola fez questão de lembrar que dez outras pessoas condenadas no mesmo processo, por desvio de dinheiro público, estão livres e trabalhando.
- A única diferença é que eu estava na Itália - afirmou.
Cacciola disse também que não estava foragido, uma vez que saiu do Brasil "oficialmente, com passaporte".
- Só quando cheguei lá (na Itália), o ministro Velloso (Carlos Mário Velloso, então ministro do Supremo Tribunal Federal) anulou a decisão do ministro Marco Aurélio Mello (que havia concedido habeas corpus a Cacciola), aí eu resolvi não voltar mais - explicou.
Ele disse ainda que "foi um erro" ter ido ao Principado de Mônaco, passar um fim de semana de lazer, onde foi preso em setembro do ano passado. O ex-banqueiro tem nacionalidade italiana e não poderia ser extraditado de lá para o Brasil, graças a acordos diplomáticos.
Cacciola não quis dar conotação política à sua prisão.
- Não sei se tem, estou à disposição da Justiça - afirmou.
O ex-banqueiro desembarcou no início da manhã, no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim. Em seguida, foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá, zona portuária do Rio, e está sendo encaminhado a uma unidade prisional do estado.
Salvatore Cacciola foi condenado à revelia no Brasil, em 2005, a 13 anos de prisão. Ele foi acusado de gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público. Em 1999, com a desvalorização do Real, para evitar a falência do Banco Marka, o Banco Central socorreu a instituição em uma operação que gerou prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres da União.