O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, dono do falido Banco Marka, foi extraditado do principado de Mônaco, nesta quarta-feira, para o Brasil. A previsão é que ele desembarque no Rio de Janeiro, por volta das 5h desta quinta-feira.
Cacciola deixou a prisão monegasca em um helicóptero, nas primeiras horas da manhã, horário local, rumo a Nice, na França, de onde seguiu até Paris, de onde embarca em um vôo regular da TAM, para responder aos processos na Justiça brasileira. O ex-banqueiro foi acompanhado, todo o tempo, por uma escolta formada por agentes da Polícia Federal e funcionários do Ministério da Justiça.
Anunciada há duas semanas, a extradição de Cacciola ocorreu quando o príncipe Albert, chefe do governo de Mônaco, assinou a extradição do ex-banqueiro. Cacciola é condenado a 13 anos de prisão pela prática de vários crimes, entre eles a formação de quadrilha e a evasão de divisas.
A prisão do ex-banqueiro ocorreu em setembro do ano passado, quando ele foi identificado por agentes da Interpol, em Mônaco, enquanto passava um final de semana de lazer, longe da Itália (país do qual tem a nacionalidade e de onde não poderia ser extraditado para o Brasil em decorrência de acordos diplomáticos).
Socorro do BC
O banco de Cacciola quebrou em 1999, devido à desvalorização cambial, junto com o FonteCindam que, ao contrário das tendências de mercado, também assumiu compromissos em dólar.
O Marka investiu na estabilidade do real e chegou a comprometer 20 vezes seu patrimônio líquido em contratos de venda no mercado futuro de dólar. Na época, o Banco Central socorreu as duas instituições, vendendo dólares com cotação abaixo do mercado, tentando evitar, segundo a versão oficial do governo de Fernando Henrique Cardoso, uma "crise sistêmica" no mercado financeiro.
Em processo julgado pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, em 2005, Salvatore Cacciola foi condenado à revelia, a 13 anos de prisão. Outros envolvidos no caso respondem ao processo em liberdade, como o então presidente do BC, Francisco Lopes, que recebeu pena de dez anos, em regime fechado e a diretora de Fiscalização do BC, Tereza Grossi, que pegou seis anos.