Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

Caças israelenses bombardeiam o Líbano e matam 26 pessoas

Caças israelenses bombardearam o Líbano nesta terça-feira, matando ao menos 26 pessoas, no mesmo dia em que novos foguetes do Hezbollah atingiram a cidade israelense de Haifa, em um sinal de que o conflito iniciado há uma semana está longe do fim. (Leia Mais)

Terça, 18 de Julho de 2006 às 07:10, por: CdB

Caças israelenses bombardearam o Líbano nesta terça-feira, matando ao menos 26 pessoas, no mesmo dia em que novos foguetes do Hezbollah atingiram a cidade israelense de Haifa, em um sinal de que o conflito iniciado há uma semana está longe do fim.

Nove membros de uma mesma família, entre os quais crianças, foram mortos e quatro ficaram feridos em um ataque aéreo contra a casa deles, no vilarejo de Aitaroun. Quatro pessoas foram mortas em outros ataques no sul do Líbano.

Um caminhão que levava suprimentos médicos doados pelos Emirados Árabes Unidos foi atingido e o motorista, morto na estrada que liga Beirute a Damasco, disse o Ministério da Saúde.

Um ataque aéreo contra alojamentos do exército libanês na região de Jamhour (leste de Beirute) matou 11 militares libaneses, entre os quais quatro oficiais, e deixou feridos outros 30.
O Hezbollah, um grupo muçulmano xiita que conta com o apoio da Síria e do Irã, disse que um de seus combatentes foi morto, mas não forneceu maiores detalhes.

Até seis foguetes atingiram Haifa, a terceira maior cidade de Israel e hoje transformada em alvo preferencial do Hezbollah. Não foram registradas vítimas. No domingo, nessa cidade, um conjunto de foguetes matou oito pessoas.

As Forças Armadas de Israel recusaram-se a descartar a possibilidade de invadir o Líbano por terra apenas seis anos depois de terem colocado fim a 22 anos de ocupação do sul do país vizinho.

- Neste momento, não acreditamos ser necessário colocar uma grande força terrestre no Líbano, mas, se precisarmos fazer isso, vamos fazê-lo - disse à Rádio Israel Moshe Kaplinsky, vice-chefe do Exército israelense.

Segundo Kaplinsky, a ofensiva, lançada depois de combatentes do Hizbollah terem capturado dois soldados israelenses e terem matado outros oito em uma ação realizada no dia 12 de julho, seria concluída dentro de algumas semanas. O Estado judaico precisava de mais tempo para "completar metas bastante claras", acrescentou a autoridade.

Kofi Annan, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), defendeu o envio à região de uma força de paz maior, mais bem armada e mais robusta. Essa força, segundo Annan, poderia estabilizar o sul do Líbano e dar tempo ao governo do país para desarmar a guerrilha Hezbollah.

Ação Internacional

- Precisamos urgentemente que a comunidade internacional entre em ação para mudar essa situação - afirmou o secretário-geral em Bruxelas, sugerindo a criação de uma força diferente da atual missão de paz da ONU encarregada de patrulhar o sul do Líbano desde 1978 e que não possui grande poder de fogo.

- Na minha opinião, a força será maior, bem maior do que a força de 2 mil homens que mantemos ali - disse Annan.

O secretário-geral deu essas declarações após reunir-se com José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Européia (Poder Executivo da União Européia, UE). Barroso disse que alguns países do bloco estavam dispostos a cooperar enviando soldados.

Uma pesquisa divulgada pelo jornal Yedioth Ahronoth mostrou que uma grande maioria dos israelenses era favorável à ofensiva no Líbano. Muito pediam ainda o assassinato do líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah.

Milhares de estrangeiros já fugiram do Líbano, alguns de carro, em direção à Síria. Outros tentam encontrar lugar em navios dos EUA e da Europa, já que o aeroporto internacional de Beirute foi fechado devido aos bombardeios israelenses.

Cerca de 100 mil libaneses já abandonaram suas casas para escapar da violência. A ofensiva israelense matou 230 pessoas até agora, 204 delas civis, e provocou os danos mais graves sofridos pelo Líbano desde a invasão israelense de 1982.

O Hezbollah respondeu com um ataque contra uma embarcação de Israel, na costa de Beirute, matando quatro marinheiros. O grupo também disparou centenas de foguetes através da fronteira, que mataram 12 israelenses.

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