Uma clareira aberta no meio da crise financeira dos Estados Unidos reabriu o apetite comprador dos investidores da Bolsa de Valores de São Paulo, que fechou no maior alta em três semanas num pregão com vigoroso volume de negócios.
Depois de revezar alta e queda durante boa parte do dia, o Ibovespa finalizou com avanço de 2,47%, aos 49.633 pontos. Isso, montado num giro financeiro de 6,24 bilhões, o maior numa sessão regular desde 30 de julho.
A exemplo das últimas sessões, o comportamento dos preços das commodities e o noticiário sobre a crise de crédito norte-americana deram rumo aos negócios.
O índice Dow Jones subiu apenas 0,34%, com a recuperação filtrada por resistentes temores de insolvência do Lehman Brothers. No setor de commodities, o barril de petróleo teve leve queda, cotado abaixo dos 103 dólares.
Desta vez, porém, o vaivém de Wall Street e das matérias-primas não conseguiu contaminar as transações domésticas com a mesma intensidade.
Depois de o Ibovespa ter cruzado a barreira de 20% de queda acumulada em 2008 na terça-feira, grandes investidores voltaram com força à ponta compradora, especialmente das ações ligadas a commodities.
- As ações estavam muito massacradas - disse Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros.
Isso, mesmo num dia de novas ordens pesadas de vendas contra pesos-pesados da Bovespa, como Petrobras, com o objetivo de limitar perdas. Assim mesmo, a ação preferencial da companhia subiu 1,16%, para 28,68 reais.
Mas o grande destaque do dia foi Vale, a que mais contribuiu para elevar o índice, ao dar um salto de 5,7%, para 35,25 reais. Movimento patrocinado por uma recuperação internacional nos preços de metais, segundo operadores.
Confiança empresarial
Presentes a uma reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), empresários de algumas das companhias mais afetadas pela forte desvalorização na Bovespa manifestaram tranquilidade.
- As ações estão relativamente bem - afirmou Roger Agnelli, presidente da Vale.
- O ritmo dos investimentos continua... A queda da bolsa sempre influi alguma coisa na psicologia, mas a economia real está muito sólida - afirmou Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Grupo Gerdau.