A aparentemente infindável fonte de evidências de desaceleração global voltou a pressionar a Bolsa de Valores de São Paulo nesta segunda-feira, mas o movimento foi amortecido pela caça a barganhas, o que produziu uma sessão volátil e de baixo giro financeiro.
Depois de ter chegado a cair quase 4 por cento logo nos primeiros minutos de negócios, o Ibovespa passou a oscilar em torno da estabilidade até fechar em baixa de 0,2%, a 35.717 pontos, a reboque do vaivém dos principais índices de Wall Street.
Os 1,02 bilhão de reais do exercício de opções em pouco ajudaram para levantar o giro financeiro, que somou apenas 3,88 bilhões de reais.
Segundo profissionais do mercado, o pregão reforçou a tendência recente: os sinais de devastação provocada pela crise financeira produzem um efeito imediato mais forte, movimento em seguida amortecido por alguns investidores que acham que os preços das ações estão depreciados demais.
- O mercado está patinando, tentando achar um equilíbrio - disse Ernesto Leme, diretor da Claritas Wealth Management.
Nesta segunda-feira, a cadeia de más notícias seguiu em marcha batida. O Japão anunciou que entrou em recessão no terceiro trimestre pela primeira vez em sete anos. O banco central da França previu que a economia do país também deve se contrair no último quarto do ano.
Dados dos Estados Unidos não davam indicação conclusiva. A produção industrial do país cresceu mais que o esperado em outubro, após o dado revisado de setembro mostrar queda de 3,7%, a maior em 62 anos. Ao mesmo tempo, o Citigroup avisou que pretende demitir 50 mil funcionários em 2009.
Commodities
Na bolsa paulista, o fiel da balança foi o comportamento das commodities, cuja queda nas cotações pressionou as blue chips. Petrobras caiu 1,5%, a 20,45 reais. Vale cedeu 0,8%, valendo 24,30 reais.
Companhias domésticas que reportaram resultados negativos apareceram entre os destaques positivos do pregão. A principal delas foi Gol, com uma disparada de 8%, para 8,39 reais, após ter informado que fechou o terceiro trimestre com prejuízo de 474,4 milhões de reais.
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), cujo lucro desabou 94% em relação ao mesmo período do ano passado devido a perdas com instrumentos derivativos, subiu 1,7%, para 23,60 reais.
- Embora as notícias tenham sido ruins, alguns investidores esperavam por números ainda piores - disse Leme.